A primeira fotografia de passaporte do pai de Keisha Scarville foi o arranque, em 2012, de uma série de mais de 300 reinterpretações da mesma imagem. O trabalho de 14 anos (e inesgotável) foi distinguido como Livro do Ano nos Encontros de Arles 2026 e explora os mecanismos através dos quais o Estado fixa a identidade de um indivíduo, jogando com a sua manipulação. Em cada nova versão do retrato, há novas combinações e a sobreposição manual de fotografias encontradas, documentos vários ou recortes de imprensa. "Passports" abre, assim, horizontes ao questionar a forma como a identidade pode ser reduzida a uma fotografia. As peças são apresentadas em pequenas dimensões, o que exige uma aproximação física e uma observação demorada da parte dos visitantes.

Passports
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