Something Old, Something New, Something Borrowed

Arte, Cerâmica e olaria Gratuito
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Add Fuel - Something Old, Something New, Something Borrowed
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Something Old, Something New, Something Borrowed
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Aos 36 anos e com um nome que se afirma cada vez mais no cenário da arte urbana, dentro e fora de Portugal, Diogo Machado continua de caso com o azulejo português. Uma bela história de amor, diga-se de passagem, que ganha um novo capítulo. É que, com “Something old, something new, something borrowed”, o artista não só se estreia a solo na Underdogs, como ainda abre a sua própria caixa de memórias.

“Esta exposição é muito pessoal. É uma espécie de nostalgia de coisas que me marcaram, desde a infância até à fase de pré-adulto”, conta. E que lembranças são estas? São os Motoratos de Marte e personagens de desenhos animados, consolas e até a sala da casa da avó, recriada no centro da galeria, como se estivesse à parte de tudo o resto. Tudo o resto que ainda é um tanto. O artista leva mais de 20 peças para a galeria e alimenta uma exposição inteira com o contraste entre novo e antigo, entre mundo tecnológico e artes decorativas ancestrais. Para o comprovarmos, basta olhar para o azulejo de Add Fuel, ora pintado à mão com pigmentos do século XVII e com a ajuda de stencil, ora estampado com impressões digitais de alta definição.

E, depois de algumas ameaças, o artista abraçou finalmente o ponto cruz. Numa das peças, à estética peculiar da natureza morta juntou uma pokebola e um selfie stick, pousados sobre um naperon. O mesmo acontece num dos painéis de azulejo. Um guerreiro espartano em todo o seu vigor, com uns óculos de realidade virtual e um comando de PlayStation em punho, e mais não contamos.

Add Fuel lança também uma série limitada de 16 azulejos em baixo relevo. Que esta arte urbana é diferente, já tínhamos percebido. Ficámos foi a saber que lhe tem servido de passaporte para correr meio mundo. Itália, Espanha, Noruega, Estados Unidos e Austrália receberam Diogo Machado no último ano e 2017 não vai ser muito diferente. Para já, a azulejaria do século XXI apresenta-se em Lisboa.

Por Mauro Gonçalves

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