Casas da Horta: uma escapadinha com tudo a uma hora de Lisboa

A pouco (mesmo pouco) mais de uma hora de Lisboa, três casas de campo partilham uma herdade de 150 hectares, com piscina, lago, animais e muito para explorar. Fomos conhecer este refúgio em Alcácer do Sal e voltámos com vontade de repetir.
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Time Out em associação com Casas da Horta
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Quando os dias de férias começam a escassear, mas a vontade de sair de Lisboa continua em alta, há que saber aproveitar o que resta do calendário. Uma semana inteira no Alentejo seria o cenário ideal, claro, mas um fim-de-semana também serve. Foi assim que, numa sexta-feira de Outubro, saímos do trabalho, fizemos as malas e seguimos até Alcácer do Sal. Uma hora e picos de conversa depois, já estávamos a atravessar os portões da Herdade da Charneca. A viagem tinha passado num instante, mas a mudança de cenário foi imediata. De repente, estávamos rodeados de campo, longe da confusão da cidade, numa propriedade com 150 hectares. Já era noite e ainda não conseguíamos perceber bem a dimensão daquilo que tínhamos à nossa volta. Mas tínhamos dois dias inteiros para descobrir.

Uma casa que sabe receber

O destino era a Casa das Alcachofras, uma das três Casas da Horta. E a primeira impressão foi a de entrar numa casa de família, daquelas onde não é preciso andar a perguntar onde estão as coisas ou ter medo de se instalar demasiado à vontade. À chegada, esperavam-nos legumes acabados de colher da horta, um cesto com pão alentejano e outro com cenouras. Estas últimas tinham uma missão especial, que ficaria para o dia seguinte. Havia ainda um guia pormenorizado com tudo o que podíamos fazer na herdade, os caminhos a explorar e os animais que iríamos encontrar. Percebemos rapidamente que a atenção aos detalhes não se limitava à decoração. Com 100 metros quadrados, duas suites, sala com sofá-cama, cozinha equipada, lareira e piscina privada, a Casa das Alcachofras recebe até seis pessoas. A decoração é simples e acolhedora, com mantas, jogos e tudo o que é preciso para passar uns dias sem grandes preocupações.

E se o grupo for maior? Há outras duas opções. Mesmo ao lado fica a Casa das Beterrabas, também com capacidade para seis pessoas e piscina privada, mas com protecção à volta da água. Já a Casa-Mãe, a mais recente das três, tem 326 metros quadrados, três suites, dois quartos e espaço para receber até 12 pessoas. Todas têm zonas exteriores para refeições e admitem animais de estimação mediante pedido.

Por trás do projecto estão Maria e Bernardo, que decidiram abrir a sua casa de família a quem quisesse conhecer este pedaço de Alentejo. A disponibilidade dos anfitriões nota-se desde o primeiro momento. Há espaço para pedir ajuda e, sobretudo, para estar à vontade.

Na primeira noite não fizemos muito mais do que isso. Instalámo-nos, ficámos à conversa na sala e fomos dormir. A casa convidava ao convívio, mas o quarto chamava por nós.

Pequeno-almoço sem hora para acabar

No sábado acordámos descansados e fomos directamente para a mesa exterior. O pequeno-almoço fez-se com pão alentejano, manteiga, sumo e outras coisas que tínhamos à disposição na casa. Pelo meio, recebemos a visita de um dos cães da herdade, que apareceu para nos cumprimentar e depois seguiu caminho. Nós, pelo contrário, não tínhamos pressa nenhuma. Entre uma fatia de pão e outra, a conversa foi-se prolongando. Olhámos para as horas mais do que uma vez, surpreendidos com o tempo que já tínhamos passado à mesa. Mas ninguém se levantou a correr. Afinal, se há coisa que um fim-de-semana no Alentejo pede, é precisamente que se deixe ficar.

Quando finalmente decidimos começar a explorar, agarrámos no cesto de cenouras e no mapa da propriedade. A confiança na nossa capacidade de orientação era grande. O talento, nem tanto. Perdemo-nos por uns momentos, tivemos de pedir indicações e lá encontrámos o caminho para os cavalos e burros. Para a maioria, foi a primeira vez com um contacto tão próximo com estes animais. Houve festas, cenouras distribuídas e tempo para ficar ali a observá-los. Na propriedade vivem ainda ovelhas, galinhas e cães. Os cavalos e burros não estão disponíveis para montar, mas aceitam bem a companhia e, pelos vistos, umas cenouras.

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Um lago, uma gaivota e muito campo

As Casas da Horta têm uma vantagem difícil de ignorar: não é preciso sair da propriedade para encontrar planos para o dia inteiro. E foi isso que fizemos.

A herdade tem um lago com um pequeno cais, barcos a remos, gaivotas e pranchas de paddle. Experimentámos a gaivota, pedalámos até ao meio do lago e, quando achámos que já tínhamos trabalhado o suficiente, ficámos a aproveitar o momento, com os pés dentro de água. Ainda houve mergulhos (voluntários e acidentais) antes de regressarmos a terra firme. Depois, foi a vez das bicicletas. Fomos buscá-las à casa e partimos à descoberta dos caminhos de terra que atravessam a herdade, entre sobreiros e campo a perder de vista. Há muito espaço para passear, seja sobre duas rodas ou a pé, e a sensação é a de que há sempre mais um caminho para descobrir.

Para quem viaja com crianças, existe até um Passaporte Ecológico, pensado para as levar a descobrir a natureza e os animais da propriedade. Também há uma horta comunitária, um campo de petanca e matraquilhos para quem preferir trocar as caminhadas por alguma competição.

Piscina em Outubro? Sim, por favor

O almoço fez-se fora da herdade. Alcácer do Sal fica a cerca de oito quilómetros e não faltam restaurantes nas redondezas para provar comida alentejana. Escolhemos um a poucos minutos da casa, comemos muito bem e regressámos a tempo de aproveitar o calor que ainda se fazia sentir. Sim, estávamos em Outubro. E sim, fomos para a piscina. Na Casa das Alcachofras, basta sair para o terraço para encontrar a piscina privada, rodeada de verde e com espreguiçadeiras à espera. Houve mergulhos, livros, conversas e uma ou outra sesta. Cada um escolheu a sua maneira de passar a tarde. 

Quando começou a arrefecer, mudámos o programa para dentro de casa. Recuperámos alguns dos jogos disponíveis, preparámos um jantar de petiscos e acabámos a noite entre conversas e um filme. A cozinha tem tudo o que é preciso para preparar refeições, uma daquelas coisas que parecem óbvias até chegarmos a um alojamento e descobrirmos que nos falta precisamente o utensílio de que precisamos. Aqui, não nos faltou nadinha. 

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Entre fazer tudo e não fazer nada

No domingo repetimos a fórmula do pequeno-almoço sem pressas. Depois de um sábado tão preenchido, apetecia-nos aproveitar mais um bocadinho a casa e a zona exterior, sem grandes planos. Voltámos a sair para almoçar, desta vez para experimentar outro restaurante da zona. Podíamos perfeitamente ter feito todas as refeições em casa, mas o guia de recomendações deixado pelos anfitriões tinha-nos despertado a curiosidade. E, convenhamos, também não custa nada ter uma boa desculpa para explorar a gastronomia alentejana. De regresso à herdade, ainda houve tempo para a piscina, mais um passeio e os últimos momentos de descanso antes de arrumar as malas.

Nas Casas da Horta tanto se pode passar o dia inteiro a descobrir coisas novas como ficar uma tarde inteira à conversa, sem sentir que se está a desperdiçar tempo. Há sempre alguma coisa para fazer, mas nada obriga a fazê-la. E talvez seja essa a maior vantagem de ficar aqui. Não é preciso organizar grandes programas, comprar bilhetes ou sair de carro a cada duas horas. Os planos estão à porta de casa e, quando apetece mudar de cenário, Alcácer do Sal e a Comporta ficam suficientemente perto para uma volta.

Ao fim de três dias, voltámos a Lisboa com a sensação de ter aproveitado muito mais do que um simples fim-de-semana. E com algumas conclusões: as Casas da Horta funcionam bem para uma escapadinha de sexta a domingo, mas têm argumentos de sobra para justificar umas férias mais prolongadas; queremos regressar no Inverno, trocar a piscina pela lareira e ficar a ouvir a chuva lá fora.

Já se está a roer de inveja? Não é preciso. Marque a sua estadia nas Casas da Horta e vá tirar a prova dos nove.

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