Michael Bublé

Música
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© Eric Ogden Michael Buble

A Time Out diz

Perfeito, perfeito era a Altice Arena ter uma daquelas enormes escadarias brancas que aparecem nos filmes de Hollywood. O último degrau acabaria numa pista de dança, onde deslizariam suaves e estonteantes casais, e tudo à volta seriam mesas redondas, onde a única bebida permitida seria o champanhe. Só não haveria charutos, por motivos óbvios. Mas nem vai ser necessário fechar os olhos para imaginar o cenário, a música de Michael Bublé tem a magia de nos transportar para um mundo de leveza e glamour, basta que não resistamos ao apelo.

Herdeiro dos grandes crooners (Sinatra, Bennett, ou até Harry Connick Jr., embora obviamente sem a voz do primeiro), Bublé açucarou a herança e os seus discos pingam amor. Vai no décimo, sempre com recurso aos clássicos da era de ouro do cancioneiro americano, mas também sempre com viagens ao futuro, seja através de originais próprios ou de outros compositores, seja mesmo com actualizações estilísticas relevantes. Neste último (Love, imaginem), de 2018, a orquestração de “My Funny Valentine” é muito interessante, na ponte que estabelece entre a grande sonoridade do século passado e uma respiração muito contemporânea, a que nem falta uma muito discreta electrónica. Da tal herança, Bublé recebe ainda um apurado sentido de espectáculo, com que transforma cada concerto num serão de histórias e bons momentos. Coisas para eternos apaixonados, nem que a eternidade sejam duas horas no embalo de uma grande orquestra.

Por Editores da Time Out Lisboa

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