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Da explosão do autocolante no pós-25 de Abril à emergência climática ou à crise da habitação. “Autocolante. Iconografia da Liberdade” inaugura a 22 de Maio, no MUDE, com entrada livre.

Vão ficando nas paredes, cadernos, mesas de café, portas de casa de banho, tampos de secretária e de computadores. Outros, os que mantiveram a película de trás intacta, foram parar a gavetas ou arquivos como o Ephemera, projecto fundado pelo historiador José Pacheco Pereira e centrado em contar a história do país através das mais variadas manifestações e documentos, de cartazes políticos a fotografias de casamentos. Desta vez, os documentos que narram a história (não só nacional) são autocolantes, cerca de 1800. E falam do ponto de vista sociológico mas também do design. "Autocolante. Iconografia da Liberdade" inaugura esta quinta-feira, 21 de Maio, às 18.00, no MUDE – Museu do Design.
"A exposição explora a diversidade do autocolante como ferramenta de mobilização, pertença e activismo. Começando por apresentar a explosão do autocolante no pós-25 de Abril e o ciclo eleitoral de 1975-76, celebram-se as cinco décadas de vida democrática através de uma grande diversidade de iconografia política e partidária. Destacam-se oficiais nacionais e internacionais, algumas que se transformaram em ícones intemporais, apresentam-se slogans e palavras de ordem que marcaram este período e inclui-se ainda material da evolução das campanhas locais, nacionais (presidenciais e autárquicas) e europeias até à actualidade", pode ler-se no comunicado da associação Ephemera. O percurso expositivo termina numa grande secção dedicada a causas sociais e lutas globais, desde a Reforma Agrária e o sindicalismo até às urgências de hoje, como a habitação, os direitos LGBTQIA+ ou a emergência climática.
Se os posters e cartazes estiveram na fila da frente de exposições que querem contar a história através do material gráfico produzido, os autocolantes foram como que esquecidos. A própria ideia do autocolante político implica "um desafio de design gráfico exigente", como qualifica o MUDE. "Deve sintetizar mensagens, mais ou menos complexas, num espaço delimitado, o que pede um domínio exímio da composição, da tipografia, da cor e das técnicas de impressão – num apelo surpreendente ao engenho e à criatividade dos autores."
Deste modo, o autocolante tem servido de voz curta e incisiva, nos últimos 50 anos, a "partidos, movimentos, associações e vontades individuais, permitindo-nos compreender, sob o prisma do design, a história da nossa democracia e das suas lutas".
A relação de tamanhos é também vincada por José Pacheco Pereira, que assume a curadoria da exposição: "A minha liberdade fala por via desse humilde pedaço de papel, da sua imagem e das suas palavras. E como a democracia é o império da diferença, cada uma das vozes dos autocolantes não dá origem a uma cacofonia, mas a um coro. O coro da liberdade."
No dia da inauguração, a visita é livre tanto à exposição "Autocolante. Iconografia da Liberdade", como a “Para que servem as coisas?”, “Meu nome António. Fotografias de Teresa Couto Pinto” e "Ver e Ler Paulo de Cantos".
Rua Augusta, 24 (Baixa). 22 Mai-30 Ago. Inauguração: 21 Mai, Qui 18.00. Entrada livre.
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