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A alta-costura de Valentino chegou ao MAAT e trouxe peças de Joana Vasconcelos

A artista portuguesa entrou nos arquivos do costureiro italiano e montou uma exposição num palácio, em Roma. Agora, a mesma exposição chega ao MAAT, ainda com mais peças.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
"VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"
DR | "VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"
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Chama-se Valquíria Vénus e é a peça que dá nome à nova exposição do MAAT. Uma estrutura canónica dentro do corpo de trabalho de Joana Vasconcelos – escultura bolbosa, suspensa na sala, que entretém o olhar, não apenas pela dimensão, mas sobretudo pela profusão de cores, materiais, técnicas e acabamentos. É também a peça que abre (ou fecha, depende do sentido) "VENUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos", que abre ao público esta sexta-feira no MAAT.

"VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"
DR"VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"

Esculturas e peças de alta-costura estão lado a lado. O diálogo é meramente formal e favorece ambas – afinal, a minúcia do acabamento, a engenharia invisível, a paciência na execução e o esmero no detalhe atravessam as construções da artista portuguesa da mesma forma que, por décadas, fizeram parte do trabalho de atelier de Valentino. A exposição vive desse paralelismo, mas também do contraste entre o luxuoso e o corriqueiro. "Objectos teoricamente banais convivem com peças de luxo e criam um diálogo", anuncia a artista, junto ao seu "trabalho de final de curso" – Flores do Meu Desejo, estrutura aberta aos visitantes mais afoitos, que aglomera dezenas de espanadores lilases –, aqui acompanhado por uma criação de alta-costura da colecção Outono-Inverno 2003/04.

Mas voltemos à Valquíria Vénus, instalada numa ampla galeria do MAAT, a pairar sobre uma dúzia de marcantes criações de Garavani, que vão dos finais dos anos 80 até 2008. A música é de baile, o que dança e rodopia é o olhar. Na Valquíria, que se estende por mais de 18 metros, Joana Vasconcelos mimetizou cores, técnicas e acabamentos das peças de alta-costura. Não foi pelo cliché, assegura. Quando Garavani lhe abriu as portas do seu arquivo, foi pela riqueza das execuções. Vermelho Valentino? Vamos encontrá-lo, mas só mais à frente.

"VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"
DR"VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"

A exposição "VENUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos" foi originalmente concebida para a Fondazione Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, em Roma. Projectada para as salas de um palácio, onde permaneceu entre Janeiro (mês da morte de Garavani, aos 93 anos) e Julho deste ano, teve de ser adaptada ao MAAT. Cresceu e exigiu mais peças – mais de 40 criações de alta-costura e pronto-a-vestir, no total –, além de um design expositivo que tornasse uma das amplas (e brancas) galerias do museu num espaço íntimo e aconchegante. Objectivo alcançado com o recurso ao burel.

Sucedem-se as pequenas salas. Encontramos o tão aguardado vestido vermelho – apresentado em 1992 –, emparelhado com a peça Coração Independente Vermelho #3, feita em talheres de plástico, mas também os marcantes Marilyn, sapatos colossais feitos de panelas e respectivas tampas, ao lado de vestidos da mesma família cromática. E se a exposição arranca em clima de festa, o final foi pensado pela artista para ser "mais contido e espiritual". É na penumbra total que entramos em Jardim do Éden, jardim labiríntico e fluorescente, habitado por dez criações monocromáticas. O negro predomina, bem como o brilho e o exímio trabalho de atelier do mestre italiano. É também o maior recuo no tempo, com peças datadas dos anos 60 e 70, que conservam o magnetismo de outrora.

"VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"
DR"VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"

A exposição abre ao público esta sexta-feira, dia 2 de Outubro, e pode ser visitada até 22 de Fevereiro. Com o MAAT a celebrar o 10.º aniversário, vêm aí dois dias de entrada gratuita – 4 e 5 de Outubro. Na segunda-feira, o programa paralelo da exposição vai trazer ao museu um workshop de bordado em lã. A actividade repete-se no dia 31 de Outubro, aí já com um custo de 15€. Muito antes disso, no sábado, dia 3, haverá uma conversa em torno da disposição e que contará com Joana Vasconcelos e com a historiadora de moda Anabela Becho.

Avenida de Brasília (Belém). Qua-Seg 10.00-19.00. Até 22 Fev. 12€

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