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Há quem pratique a ideia de um espectáculo por mês. O que já não é nada mau. Mas nós por aqui – assumindo-nos, obviamente, como suspeitos – achamos pouco. Tente superar esse objectivo, até porque há meses com uma porrada de bons espectáculos. Bom 2018.
Comecemos por onde sempre se começa: Janeiro. De 11 a 28, no São Luiz Teatro Municipal, os Arena Ensemble – com encenação de Marco Martins e um elenco onde cabem Nuno Lopes, Rita Cabaço, Bruno Nogueira – estreiam Actores, peça que deambula sobre o processo de criação de um actor. Já no Teatro Nacional D. Maria II, o grande destaque do mês é O Grande dia da Batalha, um acolhimento aos Artistas Unidos, num espectáculo com adaptação e encenação de Jorge Silva Melo sobre o Albergue Nocturno, de Gorki.
Depois, de 19 de Janeiro a 4 de Março, há um dos grandes destaques de programação do ano: o Ciclo Tânia Carvalho. Uma união de forças do Maria Matos, do São Luiz e da Companhia Nacional de Bailado, que vão receber uma retrospectiva dos 20 anos de carreira de uma das maiores coreógrafas portuguesas, com vários espectáculos e iniciativas.
Em Fevereiro, no CCB, temos um regresso à Grécia Antiga. Bom, mais ou menos. Com direcção de Tónan Quito, música dos Dead Combo e interpretação de Tónan Quito, Cláudia Gaiolas, Francisco Camacho, Isabel Abreu, Miguel Borges, Vera Mantero, vamos poder ver Oresteia, de Ésquilo. Vai falar-se de culpa, responsabilidade, consciência, tudo isso de 17 a 24. Já nos dias 23,24 e 25, o São Luiz volta a receber uma criação do italiano Romeo Castellucci, um dos mais indispensáveis dramaturgos italianos e europeus. Chama-se Democracy In America.
É na mesma Sala Luís Miguel Cintra do São Luiz que, a 8 de Março, o Teatro do Eléctrico estreia Banda Sonora. Ricardo Neves-Neves, que volta a encenar um texto da sua autoria, prossegue no trabalho teatral intensamente ligado à música. Neste espectáculo conta com composição e orquestração de Filipe Raposo e a própria Orquestra Metropolitana de Lisboa em palco. E por falar em Luís Miguel Cintra, também ele, a 10 e 11 de Março, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, conclui Um D. João Português, projecto dividido em quatro cidades e espectáculos – em processo íntimo com o público afecto a cada bloco e cidade – que serão agora, finalmente, apresentados em conjunto.
No quarto mês do ano, o das águas mil, o Teatro da Cidade estreia que boa ideia, virmos para as montanhas no CAL – Centro de Artes de Lisboa, a nova casa dos Primeiros Sintomas. Texto e encenação de Guilherme Gomes que parte de uma canção de Leonard Cohen (e da influência de Lorca na sua poesia) para falar de um trio libidinoso em confronto e em amor. Também no CAL, mas em Outubro, os Primeiros Sintomas, com encenação de Bruno Bravo, atiram-se a Tio Vânia, de Tchékhov.
Em Maio, no Teatro Nacional D. Maria II, é a vez de Christiane Jatahy, uma das mais importantes criadoras brasileiras, apresentar três peças centrais na sua obra.
Seguimos para o Verão e para a Culturgest, onde Os Possessos mostram O Novo Mundo, espectáculo em grande: seis autores, 17 actores, que gravitam em torno de pequenos quadros que abordam esse tal mundo novo, essa tal América por descobrir. A encenação é de João Pedro Mamede.
Por fim, em Julho, integrado no Festival de Teatro de Almada, o Teatro Meridional estreia no Teatro da Trindade, com encenação de Diogo Infante, Cármen, Vozes Dentro de Mim, espectáculo com interpretação de Natália Luiza à volta da biografia de Cármen Dolores. Ou seja, será coisa bonita, certamente. Como o ano inteiro.
Preparado para o que aí vem?
+ Tudo o que vai mexer com a cidade em 2018
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