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“A Ferreira Borges nunca mais será a mesma.” Começaram quase dois anos de obras em Campo de Ourique

Desaparecem os carris do eléctrico e os passeios 100% em calçada portuguesa para dar lugar a “piso mais confortável”. Intervenção arrancou esta segunda-feira e terá três fases.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
Projecto da Rua Ferreira Borges
DR | Projecto da Rua Ferreira Borges
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Era algo de que se falava e aguardava há muito. A requalificação da Rua Ferreira Borges, a artéria principal de Campo de Ourique, começou esta segunda-feira, dia 12 de Janeiro, e vai distribuir-se por três fases. A primeira decorre até Agosto, envolvendo o corte total do trânsito motorizado, e a conclusão da obra está prevista para o final de 2027, com uma duração estimada de pelo menos 19 meses. O investimento total é de 3,8 milhões de euros. 

Com o desenho dos arquitectos Silva Dias, o projecto visa tornar a circulação mais segura e confortável, em especial para "as pessoas com mobilidade condicionada e a população mais idosa residente nesta área", pode ler-se na página da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) Lisboa Ocidental, responsável pela intervenção. Para isso, conta-se com a colocação de novo pavimento tanto na zona de circulação automóvel como nos passeios, a renovação de infra-estruturas (também a Epal vai proceder à renovação da rede hídrica), passadeiras mais seguras, a revisão da semaforização e a alteração do esquema de cargas e descargas, com vista a combater o estacionamento em zonas de cruzamento.

No vídeo divulgado esta terça-feira nas redes sociais da Câmara Municipal de Lisboa (CML), com uma maquete ilustrativa do futuro da rua, as alterações são visíveis: desaparecem os carris do eléctrico e os cubos de granito (substituído por asfalto, também para reduzir o nível de ruído) da via e, nos passeios, uma grande parte da calçada portuguesa é substituída por lajes de pedra, menos derrapante. Prevê-se, ainda, o alargamento das caldeiras em volta das muitas árvores da rua e as passadeiras passam a contar com o rebaixamentos dos passeios e com guias tácteis.

Rua Ferreira Borges durante as obras
Jorge Godinho via FacebookRua Ferreira Borges durante as obras

Moradores preocupados com duração da obra e estacionamento

Enquanto a Junta de Freguesia de Campo de Ourique sublinha o facto de esta ser uma intervenção "há muito aguardada", a preocupação com os constrangimentos durante a obra e a sua duração ocupa uma boa parte do discurso entre vizinhos. Há também quem lamente o desaparecimento dos carris do eléctrico, como um sinal de que "não há mesmo retorno" da carreira 25, que ali deixou de circular nos anos de 1990. "Alguns aspectos vão melhorar, de certeza. A calçada, por exemplo, está cheia de poças. Mas a Ferreira Borges nunca mais vai ser a mesma", comenta Hermínia Alves, residente no bairro. Há também quem esteja satisfeito com a obra: "Não moro aqui mas passo nesta rua todos os dias e o meu carro já nem deve ter amortecedores, porque há desníveis por todo o lado", afirma Hugo Silva à Time Out. Já nas redes sociais da Junta de Freguesia, grande parte dos comentários relaciona-se com a perda de lugares de estacionamento durante a obra e com as alterações para os automobilistas.

Nesta primeira fase, ou seja, até 31 de Agosto, o trânsito será cortado na Rua Ferreira Borges, entre as ruas Saraiva de Carvalho e a da Infantaria 16 (excluindo os cruzamentos), obrigando a desvios dentro do bairro. Quanto ao tema do estacionamento, a Junta informa que "vai disponibilizar gratuitamente 80 lugares de estacionamento exclusivos para residentes que sejam abrangidos por esta primeira fase". Ficarão no Parque Subterrâneo da Telpark, em frente ao Mercado de Campo de Ourique, sendo necessária uma inscrição a partir de 15 de Janeiro.

Projecto da Rua Ferreira Borges
DRProjecto da Rua Ferreira Borges
Projecto da Rua Ferreira Borges
DRProjecto da Rua Ferreira Borges

A requalificação da Rua Ferreira Borges partiu de um processo de discussão pública iniciado pela Junta de Freguesia de Campo de Ourique, no mandato 2017-2021, entrando para um projecto de cooperação com a CML. O início da obra chegou a estar previsto para 2024, mas o concurso internacional para a empreitada foi apenas lançado em Maio de 2025. De acordo com as contas da Câmara, a rua congrega cerca de 80 lojas e tem uma circulação estimada de seis mil automóveis por dia.

Notícia actualizada às 11.56 de 15 de Janeiro, com a informação da data de abertura do período de inscrições para lugares de estacionamento gratuitos para residentes. 

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