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A hora muda no domingo (mas a UE continua a discutir o fim da mudança)

Portugal regressa ao horário de Inverno na madrugada de domingo, 25 de Outubro. No continente e na Madeira, quando forem 02.00 passa a ser 01.00.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Nascer do sol em Monsanto
CML/ divulgação | Nascer do sol em Monsanto
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Está quase na hora de acertar o relógio outra vez. No último domingo, 25 de Outubro, acontece a mudança para o regime de Inverno. Em Portugal continental e na Madeira, quando forem 02.00 passa a ser 01.00. Nos Açores, o acerto é feito mais cedo – à 01.00 passa a ser meia-noite. O que significa que vai poder ficar mais uma hora na cama. 

Atenção: a Associação Portuguesa de Sono (APS) alerta que atrasar o relógio uma hora não equivale automaticamente a ganhar 60 minutos de descanso. Um estudo publicado no Journal of Sleep Research, que analisou dados de sono de 11.780 participantes do UK Biobank, verificou que, no domingo da mudança para o horário de Inverno, a duração média do sono foi apenas 33 minutos superior à do domingo anterior e 38 minutos superior à do domingo seguinte.

“O nosso relógio biológico não muda instantaneamente quando atrasamos o relógio. A exposição à luz, os horários a que dormimos, comemos e iniciamos as nossas actividades continuam a servir de referência para o organismo. Por isso, manter rotinas consistentes nos dias que antecedem e sucedem à mudança pode tornar esta adaptação mais simples”, declara a Dr.ª Daniela Sá Ferreira, oresidente da direcção da APS.

Até 28 de Março, dia em que o horário de Verão voltará a entrar em vigor, os dias são mais curtos. Mas, se preferir olhar para o copo meio cheio, daqui para a frente o sol começa a brilhar mais cedo (sim, também se vai pôr mais cedo). A maioria dos dispositivos electrónicos faz a alteração automaticamente, desde que tenha activado a respectiva definição.

A mudança de hora – que prevê que todos os anos os relógios sejam, respectivamente, adiantados e atrasados uma hora no último domingo de Março e no último domingo de Outubro – é regulada por uma directiva europeia de 2000. Em 2018, na sequência de uma consulta pública que recebeu 4,6 milhões de respostas, a Comissão Europeia propôs a sua revisão. No ano seguinte, o Parlamento Europeu aprovou o fim da mudança de horário a partir de 2021, mas os Estados-membros não chegaram a acordo no Conselho da União Europeia, impedindo a entrada em vigor das alterações. A posição do governo português quanto à possível abolição do horário bianual tem sido sempre a de manter o regime ainda em vigor.

A mudança sazonal foi adoptada em vários países europeus para aproveitar melhor a luz natural e reduzir o consumo eléctrico, mas os benefícios energéticos são hoje considerados reduzidos, com a Comissão Europeia a admitir não só poupanças marginais, como efeitos negativos na saúde. Os estudos apontam para uma perturbação temporária dos horários de sono e do relógio biológico, responsável por regular os ciclos de descanso e vigília, sobretudo na passagem para o horário de Verão, em Março. Segundo a American Academy of Sleep Medicine, os efeitos das transições de hora podem persistir durante cerca de cinco a sete dias, sobretudo em pessoas que já acumulam privação de sono.

Para que a mudança sazonal chegue ao fim, é preciso primeiro haver acordo quanto à escolha de horário que cada país passaria a adoptar durante todo o ano. Em 2018, o Observatório Astronómico de Lisboa defendeu a manutenção da mudança de hora em Portugal: manter o horário de Verão todo o ano faria o Sol nascer depois das 08.00 no Inverno, enquanto manter o de Inverno faria o Sol nascer perto das 05.00 no Verão. A nível europeu, pesa ainda a importância de alinhar os horários entre países vizinhos para não prejudicar o comércio e os transportes.

Ao contrário do defendido pelo Observatório Astronómico de Lisboa, a APS defende o fim da mudança da hora duas vezes por ano e a manutenção permanente do horário padrão, correspondente ao actual horário de Inverno, por ser o que permite uma maior proximidade entre a hora oficial e o ciclo natural de luz e escuridão. 

“Mais do que discutir os efeitos de cada mudança da hora isoladamente, importa refletir sobre a necessidade de continuarmos a alterar os relógios duas vezes por ano. A posição da APS é favorável ao fim destas mudanças e à manutenção do horário padrão ao longo de todo o ano, por ser o que melhor se alinha com os nossos ritmos circadianos”, afirma Daniela Sá Ferreira, na mesma nota.

A Comissão Europeia está a tentar relançar a discussão: Bruxelas lançou, em Fevereiro deste ano, um estudo que avalia dez cenários diferentes, incluindo a manutenção permanente da hora de Verão ou da hora de Inverno e os efeitos eventuais das diferenças entre países. A análise abrange áreas como a economia, a energia, os transportes e a saúde pública. Os resultados, que devem ser apresentados no final do ano, poderão contribuir para voltar a renegociar a questão.

Notícia actualizada às 15.16 de 20 de Outubro com declarações da Associação Portuguesa de Sono.

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