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Paul Greengrass filma, com muito realismo, uma célebre e sangrenta rebelião camponesa ocorrida em Inglaterra, no final do século XIV, mas introduz também a lendária figura de Robin dos Bosques no enredo.

Em 1383, reinava então o jovem rei Ricardo II (tinha apenas 14 anos), houve uma grande revolta camponesa em Inglaterra. As causas deste levantamento do mundo rural contra o poder real foram muitas, desde os efeitos da Peste Negra que assolou o país em 1348, matou cerca de metade da população inglesa e originou uma crise nos campos e uma pronunciada baixa da produtividade num país então essencialmente rural, até aos problemas sociais e económicos causados pela Guerra dos Cem Anos (nomeadamente, a subida dos impostos para subsidiar as despesas militares), entre outros factores. O seu líder foi um agricultor chamado Wat Tyler, que acabaria morto pelos homens do rei.
Foi nesta célebre e brutal revolta do século XIV, conhecida como A Revolta dos Camponeses, A Grande Sublevação ou ainda a Rebelião de Wat Tyler, que Paul Greengrass, o realizador de filmes tão variados como Domingo Sangrento, Supremacia, Voo 93 ou Capitão Phillips, se inspirou para conceber e rodar A Revolta, cujo argumento também escreveu. O filme, anunciado em 2022, começou por se chamar The Hood, dado que a figura de Wat Tyler é apontada por alguns como estando na base da de Robin dos Bosques e da sua lenda (embora este herói e os seus feitos sejam geralmente associados ao reinado de Ricardo Coração de Leão, dois séculos antes), tendo Benedict Cumberbatch no papel principal.
Mais tarde, o filme foi reintitulado The Rage e Matthew McConaughey anunciado como substituto de Cumberbatch. Isto para, pouco tempo depois, McConaughey deixar o projecto e para o seu lugar ser contratado Andrew Garfield, e o título mudar de novo, para The Uprising. O elenco foi completado com nomes como Tom Hollander, Jamie Bell, Stephen Dillane, Johnny Lee Miller, Katherine Waterston, Thomasin McKenzie e o jovem Woody Norman no papel de Ricardo II. A personagem interpretada por Garfield, um camponês anónimo apenas conhecido como O Lavrador, é a principal, e não a de Wat Tyler, vivida por Cosmo Jarvis. (A rodagem de A Revolta, curiosamente, não teve lugar em Inglaterra, mas sim na Alemanha.)
Estando o filme já pronto, surgiu uma confusão sobre a figura de Robin dos Bosques ao nível da promoção. O distribuidor americano do filme anunciou o título como sendo The Uprising: The Rise of Robin Hood, lançando um trailer em que Andrew Garfield era explicitamente representado como sendo Robin dos Bosques. Enquanto que no Reino Unido, o respectivo distribuidor insistia que a fita era um épico histórico realista sobre a revolta de 1383, e não um enredo de aventuras centrado na lendária personagem que roubava aos ricos para dar aos pobres, e era exímia no uso do arco e das flechas.
Numa entrevista dada ao The Hollywood Reporter, Paul Greengrass disse que começou por pretender “apenas contar uma história sobre a rebelião” do século XIV, mas que o seu gosto por obras como Spartacus, Gladiador e Braveheart o levou a querer rodar um épico histórico como estes, e ainda porque nunca tinha feito um filme com tais características. E como desejava que a fita fosse ao mesmo tempo “historicamente verosímil” e realista, e incluísse elementos especulativos e ficcionais, fez a personagem do Lavrador evoluir durante a sua jornada “por força da rebelião, e tornar-se num fora-da-lei. Por isso é que o título original do filme era The Hood”, explicou.
A Revolta dura pouco mais de duas horas, durante as quais Paul Greengrass acompanha a revolta camponesa de 1383 da sua eclosão até aos sangrentos desmandos perpetrados pela multidão camponesa em Londres, e às negociações com a coroa e ao assassinato de Wat Tyler, misturando factos históricos, simplificações narrativas e liberdades dramáticas. A história conclui-se um ano depois, com uma sequência passada na Floresta de Sherwood, onde o rei e a sua comitiva caem numa emboscada preparada por um grupo de archeiros, liderado por um homem que veste de verde. O realizador conseguiu assim que, em A Revolta, factualidade e ficção caminhem de braço dado.
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