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Os políticos locais estão empenhados em alinhar a paisagem urbana com os objectivos ambientais da cidade, o que inclui reduzir para metade o consumo de carne e alcançar a neutralidade carbónica até 2050.

As constantes notícias ambientais podem parecer bastante sombrias, sobretudo se estiver a fazer um esforço para minimizar a sua pegada nos voos e a focar-se no slow travel. Mas nem tudo é mau: muitos destinos estão a esforçar-se para se tornarem mais sustentáveis, e a capital neerlandesa é a mais recente cidade a implementar uma política ambientalmente consciente.
Amesterdão proibiu oficialmente todos os anúncios públicos a carne e produtos derivados de combustíveis fósseis, substituindo os painéis publicitários nas paragens de eléctrico e nas ruas por cartazes de atracções e concertos. A ideia é que as ruas da cidade se alinhem efectivamente com as metas ambientais locais.
E faz sentido – a capital neerlandesa ambiciona alcançar a neutralidade carbónica até 2050 e que os seus habitantes tenham reduzido para metade o seu consumo de carne no mesmo período. Ter uma imensidão de anúncios a fast food, voos baratos e carros poluentes dificilmente vai ajudar a atingir esses objectivos, não é?
“A crise climática é muito urgente”, disse Anneke Veenhof, membro do partido GroenLinks (Esquerda Verde), à BBC. “Quer dizer, se [Amesterdão] quer ser líder em políticas climáticas e aluga as suas paredes exactamente para o oposto, então o que está a fazer?”
Juntar a carne aos produtos derivados de combustíveis fósseis não só indica que nenhum dos dois deve ser considerado parte de um estilo de vida aspiracional, como reformula o primeiro mais como uma questão ambiental, em vez de simplesmente uma escolha de dieta pessoal.
Sem grande surpresa, entidades como a Associação Neerlandesa da Carne e a Associação Neerlandesa de Agentes de Viagens e Operadores Turísticos não estão minimamente entusiasmadas com a medida. A primeira descreve a política como “uma forma indesejável de influenciar o comportamento do consumidor” e defende que a carne “fornece nutrientes essenciais e deve permanecer visível e acessível aos consumidores”.
Embora o ónus não passe necessariamente por tratar a população como crianças para que mudem os seus hábitos, a esperança é reduzir as compras por impulso e talvez até catalisar um “momento tabaco” para os alimentos com elevados níveis de produção de carbono.
Amesterdão nem sequer é a primeira cidade dos Países Baixos a implementar esta política. Já em 2022, Haarlem proibiu os anúncios a carne na maioria dos espaços públicos, e Utreque e Nimega seguiram o exemplo. Mais amplamente, muitas cidades também avançaram com a proibição de anúncios a produtos derivados de combustíveis fósseis – nomeadamente Edimburgo, Florença, Sheffield, Estocolmo e, bem, toda a França.
Não existem muitas provas que sugiram que a remoção de anúncios a carne esteja correlacionada com um menor consumo, mas investigadores como a professora de Epidemiologia Joreintje Mackenbach estão optimistas quanto ao seu potencial. “Se vemos anúncios a fast food em todo o lado, isso normaliza o comportamento de consumo”, afirmou. “Portanto, se retirarmos esse tipo de estímulos dos nossos ambientes públicos, isso também vai ter um impacto nas normas sociais.”
Mackenbach citou um estudo que concluiu que a remoção de anúncios de junk food no Metro de Londres, em 2019, resultou efectivamente num declínio do consumo. De facto, tem havido um movimento no sentido de reduzir a publicidade a junk food em todo o Reino Unido, impulsionado pelos apelos do famoso chef Jamie Oliver, mas quem sabe – isso pode muito bem ter consequências positivas para o ambiente.
Quanto a Amesterdão, teremos de ver como a política se desenrola. Fique atento a novidades e, entretanto, mantenha-se a par das melhores coisas para fazer na cidade mais apetecível dos Países Baixos.
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