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Ao fim de 145 anos, a casa de tecidos Tavares & Tavares põe fim à sua história

Fecho da casa histórica, fundada em 1880, faz parte da história de esvaziamento da Baixa de Lisboa. Falta de profissionais qualificados na área e idade avançada do proprietário são as razões do fim.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
Tavares & Tavares
Rita Chantre | Tavares & Tavares
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Não está relacionado com contratos de arrendamento ou interesses do sector imobiliário. Depois de 145 anos de actividade, a casa Tavares & Tavares, na Rua dos Fanqueiros, vai fechar portas a 8 de Outubro, por ser "um negócio muito específico, para o qual não há formação na área" e os funcionários actuais terem chegado "a uma certa idade". "O mesmo se passa comigo, tenho 73 anos", conta à Time Out João Barradas, proprietário da loja nos últimos cerca de 20 anos. "Não é bom nem é mau, é a vida", remata, partilhando que, ainda assim, conseguiu cumprir a promessa que fizera no início deste século: "Aguentar-me até que as pessoas que trabalhavam ali se reformassem."

A falta de interesse nas gerações mais novas em seguir uma vida profissional ligada ao comércio não é exclusiva da Tavares, que chegou a ter 20 funcionários. "Agora as pessoas querem tirar uma formação superior e trabalhar noutras áreas. É assim", constata o proprietário. Por outro lado, identifica uma tendência para cidades como Lisboa: "Os grandes manterem-se e os pequenos desaparecerem. Nestes próximos tempos, vamos notar muito isso em relação às pequenas e médias empresas, sobretudo no comércio, para as quais há cada vez menos espaço em Portugal", vaticina. Quanto ao futuro da Baixa, João Barradas acredita que será entregue "à restauração, hotelaria, tuk-tuks e lojas de souvenirs". 

Tavares & Tavares
Rita ChantreTavares & Tavares

Questionado sobre um eventual desuso do segmento dos tecidos, João Barradas responde que a loja nunca teve falta de clientes. "Lá está, há um mercado específico para isto." Um pouco mais abaixo, porém, na esquina dos Fanqueiros com a Rua de São Nicolau, também fechou, há alguns anos, uma outra casa da mesma área, a Liane.

Na Rua dos Fanqueiros, há hoje 16 lojas encerradas e vazias, não contabilizando áreas de rés-do-chão dos prédios em obras ou já reabilitados mas ainda por "inaugurar", de acordo com a contagem da Time Out. "Esta rua chegou a ter 250 lojas. Estabelecimentos no primeiro andar, no rés-do-chão... Passava na rádio um anúncio que falava da Rua dos Fanqueiros como o maior centro comercial de Lisboa a céu aberto. Isto nos anos 80...", conta o funcionário do pronto-a-vestir Vitrine, imediatamente ao lado da Tavares & Tavares e do mesmo proprietário. "É triste o que aqui se passa", finaliza.

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