"No dia 19 de Dezembro, a Galeria Vera Cortês encerra a sua operação." Assim começa o comunicado da galeria fundada há 23 anos e uma das mais relevantes no mercado da arte contemporânea em Portugal, representando artistas como Daniel Blaufuks, Vhils, Gabriela Albergaria ou João Louro.
"Encerro este projecto não pela falta de paixão, mas porque sinto que o seu percurso se cumpriu. À frente, outros caminhos — onde essa paixão pela arte e pelos artistas possa continuar a florescer", começou por escrever a galerista que dá nome à casa. Porém, há outras razões para o encerramento: “A voragem do mercado e os seus ritmos vêm transformando definitivamente este negócio”, em que “a dimensão comercial e a crescente competição determinam cada vez mais o que se mostra, como e quando”, acrescentou, sem avançar em detalhes.
“Nestes 25 anos de trabalho no mundo da arte, acreditei sempre que o que estava por vir e que o que me faltava fazer, com o apoio inestimável das minhas equipas (e foram tantas pessoas!), era relevante e estimulante. Exemplo disso foi, também, o empenho com que nos batemos, juntos, pela redução do IVA [para as transacções das galerias de arte], culminando meses de muita dedicação com o reforço da importância das galerias no sistema da arte e da cultura”, continua a também ex-presidente da Exhibitio - Associação Lusa de Galeristas.
A Time Out contactou a galeria, com o intuito de aprofundar as razões do seu fim, mas não recebeu resposta da organização.
Até 5 de Setembro, pode visitar-se no espaço de Alvalade a
exposição "O Esquema Narrativo", de Ana Vieira. A galeria encerra o percurso com a
primeira exposição individual em Portugal da francesa Béatrice Balcou.