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Contra o hotel no quartel, a Graça vai pintar-se de amarelo

Bandeiras de protesto podem ser levantadas a partir de segunda-feira, 9 de Fevereiro, no Teatro da Voz. Acção tem como alvo construção de hotel de cinco estrelas no antigo quartel.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
Protesto contra hotel
DR | Protesto contra hotel
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Não é a primeira e talvez não seja a última acção de protesto de residentes em Lisboa e em particular no bairro da Graça contra a construção de um hotel de cinco estrelas no lugar do antigo quartel militar do bairro. Desta vez, a ideia é pendurar lonas amarelas nas varandas de algumas das ruas nevrálgicas da zona, com a inscrição "menos turismo, mais bairro".

"Dizem que o amarelo traz optimismo. Vamos encher a Graça com a vontade de um bairro mais vivido por quem cá mora e trabalha, e menos dominado pelo turismo", transmite o movimento Parar o Hotel no Quartel da Graça, através das redes sociais. Para isso, quem tiver afinidade pela causa pode recolher as lonas a partir de segunda-feira, dia 9 de Fevereiro, no Teatro da Voz (de segunda a sexta-feira, entre as 10.00 e as 18.00). A organização pede um donativo, aconselhando o valor de 10 euros, e que seja feita uma reserva através de uma mensagem privada para a conta de Instagram do grupo.

Antigo quartel da Graça Duarte Drago

De acordo com a organização, as zonas de "maior interesse e visibilidade" para a colocação de lonas são: o Largo da Graça, a Rua da Graça, a Travessa e a Calçada do Monte, a Rua da Nossa Senhora do Monte, a Rua da Voz do Operário e a Feira da Ladra.

Quase 3000 assinaturas para travar o hotel

Recorde-se que, desde a sua criação, em Maio de 2025, a petição "Parar o Hotel no Quartel da Graça", somou 2701 assinaturas. "Em vez de um hotel destinado a engrossar os lucros de um grupo privado, queremos colocar o antigo quartel ao serviço das necessidades reais da população do bairro e da cidade, prosseguindo fins habitacionais, educativos, culturais e artísticos, com serviços de assistência e infra-estruturas ligadas ao bem-estar das pessoas e à qualidade de vida urbana", pode ler-se no documento. Além da petição, várias ideias foram lançadas, nos últimos anos, para dinamizar o antigo quartel e convento como centro social e cultural, de uso público. Ao mesmo tempo, acções de protesto foram dando visibilidade à causa. A exigência do movimento é que "o Estado revogue a concessão do hotel no quartel desde já, para defender o Monumento Nacional da degradação e abandono, e para garantir que serve efectivamente à população de Lisboa".

A história da possível transformação do quartel em empreendimento de luxo remonta a Fevereiro de 2019, ano em que foi lançado um concurso público para a concessão do edifício, classificado como Monumento Nacional. Em Outubro do mesmo ano, soube-se da vitória do Grupo Sana, alicerçada num projecto de conversão do antigo convento num hotel de luxo. As obras, porém, nunca começaram, estando o edifício a degradar-se há vários anos. Nos últimos meses, o antigo quartel tem sido alvo de acções de limpeza, que indiciam que o arranque das obras poderá estar para breve.

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