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Da calçada para o pátio, a Pop Closet é agora um segredo ainda mais bem guardado

Ao fim de oito anos, a loja de moda em segunda mão mudou de morada. A nova Pop Closet apresenta uma curadoria ainda mais depurada, focada em peças de luxo.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Pop Closet Chiado
RITA CHANTRE
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Há oito anos, António Branco abria uma loja de roupa em segunda mão em pleno Chiado. A Pop Closet distinguiu-se logo das demais, em boa parte por causa do faro apurado do seu mentor. Com um extenso currículo como buyer, stylist e editor de moda, percurso que traçou sobretudo nos Estados Unidos e no Brasil, António fez do espaço uma referência – e abriu um mais pequeno uns metros acima. Agora, chegou a altura de fazer as malas e mudar. A Pop Closet continua no Chiado, mas refinou a selecção de peças.

"Houve um upgrade em relação ao tipo de artigos que vamos vender. Quis focar-me mais nas marcas de luxo e em peças mais especiais, de autor. Acho que era uma mudança necessária", começa por explicar António, no dia da inauguração da nova loja. Fala num crescimento gradual e orgânico, assente no passa-palavra, mas também no aumento da clientela internacional que se tem fixado em Lisboa. Mesmo com um projecto bem-sucedido, estava na hora de mudar e moldar a Pop Closet aos novos tempos.

Pop Closet Chiado
RITA CHANTREAntónio Branco

"Lisboa já não é o que era há oito anos. Já temos muitas lojas vintage e há que, realmente, ir marcando a diferença. Há lugar para todas. O interessante é que haja lojas diferentes", acrescenta. Mas se há coisa que António quer manter é uma certa discrição em torno do espaço. O primeiro ficava na Calçada do Sacramento, junto à The Feeting Room. O novo fica no Pátio Siza Vieira, ao lado da Sienna.

A fórmula de manter a loja fora das principais ruas do Chiado tem resultado. Agora, reforça-se o secretismo, ao mesmo tempo que a loja ganha um novo charme. Acabamentos industriais, arcadas e pedras centenárias e móveis em madeira que já tiveram outras vidas emolduram não apenas a roupa e acessórios, mas também peças de arte e de decoração. As fotografias de Cátia Castel-Branco são as primeiras a ocupar as paredes da nova Pop Closet. Estão à venda e a ideia é ir desafiando outros artistas a colocar aqui os seus trabalhos. Também há peças de design para a casa – em segunda mão, recicladas e de restos de colecções de marcas conceituadas como a Kartell.

Pop Closet Chiado
RITA CHANTRE

"Eu sempre gostei desta ideia, das coisas não serem muito óbvias. Eu visito muitas lojas vintage quando viajo – para comparar preços, para ver que tipo de coisas devo vender e até para comprar, e até acabo por revender aqui –, e muitas delas são escondidas. Acho que isso torna a coisa mais interessante até", assinala.

Mas a grande mudança está nos charriots. A loja já barrava a entrada a marcas de fast fashion como Zara, mas agora afunila o critério e deixa de fora aquilo a que António chama de "marcas de maior difusão", separador que engloba etiquetas como a Massimo Dutti, a Uniqlo, a Ralph Lauren ou a Lacoste. "Foi o que sempre fiz na minha vida. Tento encontrar peças que sejam especiais. São marcas de valor mais elevado, logo mais caras, mas nas quais vale a pena investir", resume.

Pop Closet Chiado
RITA CHANTRE

Loewe, Dior, Saint Laurent, mas também Acne Studios e Off-White, e muitas outras marcas estão distribuídas pela loja, onde a moda masculina está presente numa dose generosa. A amplitude de preços é favorável a todos os orçamentos, com um intervalo que vai dos 30€ aos 1500€. O rótulo vintage é relativo – a maioria das peças apresenta um design suficientemente contemporâneo para se confundir com uma qualquer colecção dos últimos anos. "Quero ter bons artigos, que qualquer pessoa que entre aqui sinta que pode usar, que não sejam específicos para um tipo de cliente. Acima de tudo, peças com qualidade, bonitas e contemporâneas", remata.

Nos bastidores, está António, um ás das compras. Capaz de percorrer centenas de quilómetros para encontrar os melhores negócios, seja no Norte da Europa, ou no Norte de Portugal, onde as fábricas se desfazem, muitas vezes, de restos de colecção. Tudo para manter a rotatividade na loja, onde as peças raramente ficam mais do que duas semanas. A estas juntam-se as roupas e acessórios consignados por clientes ou até peças compradas directamente pela loja. "São ideias que já queria ter implementado desde o início, quando abri há oito anos, só que na altura não funcionava. Tentei, mas não funcionava. Agora, acho que já há mercado", denota.

Pop Closet Chiado
RITA CHANTRE

As novidades não ficam por aqui. No centro da loja, há um charriot que no futuro será alugado a designers e coleccionadores de moda. Uma forma de diversificar ainda mais a oferta do espaço. A partir da nova casa, António faz outros planos para o futuro – o primeiro fica mesmo à porta, num bar com esplanada que pretende usar para receber eventos especiais e projectos pop-up. O outro fica um pouco mais longe e implica rumar ao Porto para abrir mais uma Pop Closet.

Pátio Siza Vieira, Rua Garrett, 19 (Chiado). Seg-Dom 12.00-20.00

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