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"Habitar Portugal" inaugura no MAC/CCB esta quarta-feira, 11 de Fevereiro, e é uma viagem pela arquitectura de assinatura portuguesa no país e além-fronteiras, pós-1974.

Na exposição "Habitar Portugal", a sétima de uma série que se iniciou em 2003, podemos partir de duas perguntas. Uma é: o que fez a democracia pela arquitectura? A outra inverte o ónus, questionando o que terá feito, então, a arquitectura pela democracia. Ambas serão válidas para pensar a mostra que inaugura esta quarta-feira, dia 11 de Fevereiro, no MAC/CCB, e que reúne 100 obras marcantes da arquitectura em território nacional e no estrangeiro, todas assinadas por arquitectos portugueses, obedecendo a critérios como a diversidade geográfica, de tipologia ou o equilíbrio de género (dando visibilidade a arquitectas que pouco a tiveram no início do período democrático).
Cada década tem representadas 20 obras, que podem ir desde equipamentos culturais a educativos (do pré-escolar ao ensino superior), passando por habitação, edifícios religiosos, de foro comercial, espaços públicos (como a baía de Luanda) ou empresariais (como o Banco Comercial de Investimento de Maputo). Tudo se distribui por três eixos programáticos — Arquitectura como Gesto Político; A Persistência da Memória; e Rupturas e Novas Configurações —, que funcionam como vectores de reflexão a partir da visualização das obras (em fotografias e maquetes). Visto de outro prisma, é uma viagem por uma das muitas histórias da arquitectura, escrita nos últimos 50 anos por figuras como Siza Vieira, Souto de Moura, Aires Mateus, Bak Gordon, Inês Lobo ou Tomás Taveira, com linguagens políticas, mas também de ordem prática (como os materiais à disposição em cada território ou os fundos libertados em cada época) e poética (olhe-se para a Faculdade de Arquitectura de Tournai, na Bélgica, dos arquitectos Aires Mateus).
"O nosso objectivo não foi fazer uma lista", afirma Alexandra Saraiva, co-curadora da exposição com Célia Gomes e Rui Leão, durante a visita de imprensa. A ideia foi antes que se pudesse transmitir "uma leitura crítica das mudanças que redefiniram o território e os modos de habitar", como se lê no texto da exposição. Olhar para o Complexo das Amoreiras (Lisboa), para o Bairro Alto do Moinho (Amadora), para o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (Faial, Açores), para o Parque de Campismo de Abrantes, o Mercado do Bolhão (Porto), a Praça do Fonte Nova (Lisboa) ou ainda para a Embaixada de Portugal em Brasília (Brasil) e para o projecto 5 Jardins de Infância (Guiné-Bissau) não é apenas ver arquitectura mas também partir para uma "análise do crescimento social e económico" através de diferentes formatos e soluções, sublinha a vice-presidente da Ordem dos Arquitectos (que organizou a exposição em parceria com o MAC/CCB), Paula Torgal.
Para lá do desenho e da matéria, "Habitar Portugal" mostra "como se constrói um país, como se constrói cidade". "E num momento de tanta incerteza na Europa acho que a arquitectura tem muito a dizer", defende a directora artística do MAC/CCB, Nuria Enguita. A fala é sobre como temos vindo a habitar os últimos 50 anos e como queremos vir a habitar os próximos, com todo o peso que o espaço tem sobre nós.
Praça do Império (Belém). Ter-Dom 10.00-18.30. Até 26 Abr. 15€
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