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De projecto participado pela comunidade a desenho adaptado pela Câmara, a obra deveria ter sido executada pela Junta de Arroios antes do Verão de 2025.

A discussão sobre a necessidade de transformar a Praça das Novas Nações, nos Anjos, tem mais de uma dúzia de anos, mas tudo indicava que em 2025 o local ganhasse uma nova configuração, deixando de ser uma ilha, desligada da Escola Básica Sampaio Garrido. O que acontece é que, apesar do concurso público lançado, o processo ficou parado num trâmite legal, que agora a Junta de Freguesia de Arroios informa estar a desbloquear em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa (CML). Cumprindo-se o lançamento de um novo concurso público para a empreitada durante o último trimestre deste ano, prevê-se que a obra de requalificação arranque em 2027.
"A requalificação da Praça das Novas Nações e da Rua de Angola resulta de um projecto promovido pela população, desenvolvido pela Câmara Municipal de Lisboa e cuja execução foi delegada ao anterior executivo da Junta de Freguesia de Arroios. Quando assumimos funções, há cerca de oito meses, encontrámos um processo bloqueado por um conjunto de constrangimentos legais, administrativos e financeiros que impediram o arranque da obra", explica o actual presidente da Junta, João Jaime Pires, num vídeo divulgado nas redes sociais do organismo.
Ao mesmo tempo, o valor contratualizado para a execução da obra tornou-se desactualizado. Em articulação com o município, a Junta decidiu, assim, recomeçar o processo, ficando agora a execução da empreitada sob a responsabilidade da Câmara, por um valor superior a um milhão de euros (que era o previsto em 2024 e que obrigaria à existência de um visto do Tribunal de Contas, que nunca chegou a ser emitido por uma alegada falta de resposta da Junta, de acordo com o actual executivo).
Quanto ao desenho, não há alterações em relação ao exposto pelo anterior executivo de Arroios. O objectivo continua a ser "melhorar a mobilidade pedonal, unir a praça à escola, reforçar as zonas verdes e criar melhores condições de permanência e utilização" da praça, afirma João Jaime Pires. O projecto anunciado em Maio de 2024 pela Junta de Freguesia incluía "passeios mais largos", "mais árvores" e passadeiras sobre-elevadas. Mas a principal alteração seria eliminar o trânsito automóvel entre a escola e a zona de estadia e de parque infantil, aumentando a segurança.
A discussão sobre alterar o perfil da Praça das Novas Nações é anterior a 2012, ano em que a cooperativa de arquitectura Trabalhar com os 99% começou a desenhar um plano para o espaço em colaboração com a comunidade (moradores, comerciantes, alunos e professores da Escola Sampaio Garrido). Findo o processo participativo, a cooperativa entregou o projecto à CML, que foi então adaptado pelos técnicos da autarquia, com alterações em pontos como a localização da paragem dos autocarros, redundando no desenho divulgado em 2024 pela Junta de Freguesia, então presidida por Madalena Natividade.
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