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Enquanto a cidade muda, não é preciso olharmos todos para o mesmo. Eis um livro para pensar Lisboa

‘Lisboa Mesma Outra Cidade vol.2’ convida a reflectir sobre as transformações urbanas, sociais e económicas que “fazem parte do debate político e cívico”. É apresentado dia 11, véspera de eleições.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Trabalho
Cristiana Ortiga | Trabalho
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Feira do Relógio, Bairro das Colónias, apartamentos partilhados e manifestações, a noite, a juventude, a construção civil e a praia, a festa, o fundo dos poços, o que ficou do Casal Ventoso e a tenda de circo do Senhor Roubado. Tantas cidades dentro, e é isso que Lisboa Mesma Outra Cidade (Ghost Editions) volta a mostrar, no seu segundo volume. O livro ensaístico, composto por sete trabalhos de fotografia e três textos de intimidade com a cidade, é apresentado no sábado, dia 11 de Outubro — véspera de eleições autárquicas — às 17.00, no Museu de Lisboa – Palácio Pimenta. Presentes estarão quem fotografou e escreveu, os editores e os responsáveis artísticos do projecto, e também, espera-se, um despertar do "debate político e cívico", a partir desta urgência em olhar para as transformações e vácuos da cidade e do exercício de registar o tempo rápido que não se repete.
Depois de, em 2023, a editora Ghost ter lançado o primeiro volume desta Lisboa Mesma Outra Cidade, Catarina Botelho e David-Alexandre Guéniot sentiram a necessidade de voltar a criar um espaço para que se representasse o lugar de uma forma plural, recorrendo agora aos olhares de Tiago Amorim, Fábio Cunha, Laura Palma, Cristiana Ortiga, Olívia Borges, Cristiana Morais e Diogo Simões e aos textos de Tatiana Salem Levy, Gisela Casimiro e Golgona Anghel. Abriu-se assim uma espécie de balão de oxigénio, "folheável", em que, com tempo, deixamos de ver uma profusão de restaurantes de ramen, lojas de bugigangas, grupos de excursões e alojamentos locais para encontrar a cidade vivida, ou os modos de vida e de trabalho que ela dá.
Relógio
Tiago AmorimRelógio
"Numa cidade cada vez mais imersa num imaginário de postais turísticos, activos imobiliários e visões alienistas — onde o quotidiano de quem a habita tende a desaparecer , Lisboa Mesma Outra Cidade propõe uma outra cartografia", defende a Ghost. Esta é a cidade distante do post instantâneo, junto dos jovens que levam álcool para casa para se divertirem, de quem faz vida nas feiras, de quem testa malabarismos que não apenas o de encontrar uma casa para viver.

"Tenho casa, embora não saiba durante quanto tempo"

"Vivo em Lisboa há dez anos, antes disso estudei e trabalhei aqui, e em Odivelas, Queluz, Quintanilho (Vialonga), uma menção honrosa para a Damaia, e Alverca do Ribatejo. Tenho 40 anos. Vivo com uma amiga, o seu gato e a sua gata. Tenho casa, embora não saiba durante quanto tempo. (...) As Galegas, um tasco no Cais do Sodré, onde apresentei o meu primeiro livro, participei e assisti a tantas leituras poéticas e encenadas, fechou." O excerto é da escritora e activista Gisela Casimiro. Poderia ser de outro lisboeta, como os que nas fotografias de Cristiana Ortiga borram as roupas de tinta branca e constroem casas para os outros ou como os que no "capítulo" "Pagar o Chão", de Fábio Cunha, andam na intermitência de casas partilhadas e manifs pelo direito à habitação. Também poderia ter sido escrito por quem apanha sol na rua ou na praia, vivendo a cidade, ou por quem se diverte sobre patins, pese embora tudo o resto, como mostra o trabalho de Olívia Borges ("Qual a melhor forma de sentir calor?")
Passagem
Laura PalmaPassagem
Se o uso do espaço público mudou nos últimos 15 anos? Até o dos espaços privados, responde o livro. Não há, ainda assim, imagens totalizantes, homogéneas e redutoras aqui. Lisboa não é só turismo, não são só hotéis, não se resume ao lixo em excesso ou aos buracos no passeio. Podemos imaginar um futuro para a cidade, olhando melhor para ela?

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