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A nova série da RTP Play é uma telenovela noir com Rui Reininho. David Bruno promete uma “história legítima” com “lugares comuns da cultura portuguesa” e elementos surreais.

Se há qualificativo utilizado para descrever a música de David Bruno, ao longo da sua carreira, é “cinematográfico”. Seja com Conjunto Corona ou a solo, os discos do produtor gaiense contam uma história e são ilustrados com pormenores e detalhes minuciosos. Agora, uma das suas obras mais narrativas, Sangue & Mármore, é adaptada para televisão. A telenovela noir estreia a 12 de Fevereiro na RTP Play e conta com a participação do artista, mas também de Rui Reininho.
Criada pelo próprio músico e desenvolvida em parceria com a produtora Anexo 82 e a RTP Lab, a série teve a sua génese logo no disco. Segundo David Bruno, a ideia de adaptar aquele universo para outro formato surgiu praticamente em simultâneo com a edição do álbum, em Setembro de 2022. “Era exactamente o que tinha pensado quando lancei o álbum em formato de áudio-novela”, explica à Time Out. O potencial deste trabalho foi rapidamente reconhecido por quem o ouviu, levando a várias propostas para transformar a história noutras linguagens. “Aquilo era muito cinematográfico, as descrições são muito reais, e muitas pessoas perceberam isso.”
O projecto ganhou forma quando a Anexo 82 e o realizador Francisco Lobo avançaram com uma candidatura aos apoios da RTP. Quando esta recebeu luz verde, até o músico ficou surpreendido. “Não tinha grandes expectativas, mas, passado um tempo, não é que foi mesmo aceite? Foi aí que percebi que realmente ia acontecer.”
Sangue & Mármore acompanha a morte misteriosa de Sequeira (interpretado pelo vocalista dos GNR, Rui Reininho), um poderoso empresário do sector dos acabamentos, encontrado sem vida junto ao Zoo de Santo Inácio, em Avintes. No corpo são descobertas duas pistas, uma unha vermelha e a fotografia de uma mulher desconhecida, que lançam o detective privado Guedes (Jorge Paupério) numa investigação em que nada é exactamente o que parece. Ao longo da narrativa surgem novas perguntas: quem é a mulher misteriosa, onde está Crespo (João Delgado Lourenço), o antigo Dragão Sandinense desaparecido, e que destino teve a fortuna de Sequeira?
Apesar de ser a sua estreia na criação de uma série televisiva, David Bruno garante que o processo criativo decorreu de forma natural, graças ao trabalho de equipa. “Eu não percebo nada de fazer séries, mas estou a trabalhar com uma equipa que a vida deles é isso”, afirma. O músico escreveu o guião e destaca o facto de a produtora lhe ter dado liberdade criativa. “Deixaram-me ser inocente a fazer a série. Nunca me condicionaram com perspectivas técnicas. Escrevia o que me aparecia e eles adaptavam a minha visão mais naïve, especialmente quando era complicado de colocar as ideias em prática.” Para o artista, esse processo ajudou a definir o tom da produção. “Nota-se que é um projecto feito de forma muito pura e inocente. É uma das coisas de que tenho mais orgulho.”
Para além da criação e da escrita, David Bruno também integra o elenco, assumindo o papel de narrador. A experiência, diz, foi facilitada por estar a interpretar textos seus. “Estou a ler num teleponto. Eu fui quem escreveu, então senti-me muito confortável.” O ambiente de rodagem também contribuiu para essa sensação. “Foi uma equipa pequena, muito amigável, um ambiente muito caseiro. Foi muito tranquilo e muito fácil de gravar.”
Entre os nomes do elenco destaca-se Rui Reininho, que assume um dos papéis centrais da série. David Bruno sublinha o envolvimento do músico dos GNR e a sua relação descomplicada com novos projectos. “Ele envolve-se nos projectos de forma descomplexada, só porque gosta das coisas.” O artista recorda ainda um conselho deixado por Reininho durante as filmagens: “Ele disse-me uma coisa que nunca esqueço: ‘As coisas de que tenho mais orgulho na minha vida não foram as vezes em que ganhei, foram as vezes em que me humilhei’”, recorda entre risos.
Visualmente e em termos narrativos, Sangue & Mármore cruza referências improváveis, assumindo uma identidade estética muito própria. David Bruno descreve o resultado como “uma mistura entre RTP Memória e David Lynch”, onde o quotidiano português se cruza com elementos surreais e noir. O próprio criador considera este projecto, “porventura, o mais português” que já fez, juntando “lugares comuns da cultura portuguesa para contar uma história legítima que poderia ter acontecido na porta ao lado de minha casa”.
Com cinco episódios, Sangue & Mármore reforça a aposta da RTP Lab em novos criadores e projectos experimentais. Quanto ao futuro, David Bruno admite que a experiência o marcou e que gostaria que não fosse uma aventura isolada. “Gostei mesmo muito de fazer isto e deu-me vontade de fazer mais. Se vai voltar a acontecer, não sei. Vamos ver primeiro como esta série é recebida.”
RTP Play. Estreia a 12 de Fevereiro
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