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Entre o humor, música e betão, o IndieLisboa revela a programação completa

O festival de cinema revelou a programação completa para a edição de 2026, com retrospectivas, estreias e várias secções que cruzam cinema, música e propostas experimentais.

Hugo Geada
Escrito por
Hugo Geada
Jornalista
Isto é Spinal Tap
DR | Isto é Spinal Tap (1984)
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Entre documentários falsos, a estreia no grande ecrã de John Wilson e muita música, o IndieLisboa revelou a programação completa da edição de 2026, que decorre entre o final de Abril e 10 de Maio. A retrospectiva deste ano, organizada em parceria com a Cinemateca Portuguesa, é dedicada ao mockumentary, um género que explora a fronteira entre ficção e realidade, reunindo 21 filmes de diferentes épocas, dos anos 20 até à actualidade.

Sob o título “Isto não é um documentário”, o programa inclui obras como Punishment Park (1971), de Peter Watkins, This is Spinal Tap (1984), de Rob Reiner, ou The Blair Witch Project (1999), de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, além de títulos como Best in Show (2000), de Christopher Guest, e clássicos como Häxan (1922), de Benjamin Christensen, e Las Hurdes (1933), de Luis Buñuel. A selecção procura mostrar como o género ultrapassa os registos mais associados à comédia ou ao terror.

O encerramento do IndieLisboa, a 10 de maio, será com a estreia nacional de The History of Concrete, de John Wilson, criador da série How To With John Wilson – onde pequenos pormenores do quotidiano servem para contar grandes e rocambolescas histórias —, que faz do betão a matéria-prima da sua primeira longa-metragem documental.

Na secção Director’s Cut, o festival apresenta cinco filmes restaurados e pouco exibidos, entre eles Regarde, elle a les yeux grands ouverts (1982), de Yann Le Masson, sobre a luta pelo direito ao aborto em França, Mamma (1982), de Suzanne Osten, e Murdering the Devil (1970), de Ester Krumbachová. Também integram o programa Espelho de Carne (1985), de Antonio Carlos da Fontoura, e The Red Spectacles (1987), de Mamoru Oshii, numa selecção que aposta na redescoberta de obras raras.

A secção IndieMusic volta a reunir um conjunto de filmes ligados à música, com dez longas-metragens e três curtas, incluindo várias estreias mundiais. Entre os títulos apresentados estão Newport and the Great Folk Dream, de Robert Gordon, sobre o histórico festival folk norte-americano, Butthole Surfers: The Hole Truth and Nothing Butt, de Tom Stern, ou The Blind Couple From Mali, de Ryan Marley. O programa inclui ainda vários filmes portugueses, como Quem Tem Medo de Zurita de Oliveira?, de Francisca Marvão, e Rua (Isto não é um filme, é um cometa), de João Bigos Campaniço. Todas as sessões desta secção terão audiodescrição.

Já a Boca do Inferno mantém-se como espaço dedicado a propostas mais experimentais e difíceis de classificar, com um total de 14 filmes. Entre os destaques está Dracula (2025), de Radu Jude, bem como Obsession, de Curry Barker, e Fucktoys, de Annapurna Sriram. A habitual maratona nocturna decorre a 8 de Maio, no Cinema Ideal.

A competição europeia Smart7 regressa com sete filmes de sete países, numa iniciativa que passa por vários festivais europeus. Portugal é representado por Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete, ao lado de obras oriundas da Roménia, Espanha, Polónia, Grécia, Lituânia e Islândia.

Também a ESFN – European Short Film Network volta ao festival, desta vez com uma proposta centrada no cinema expandido. O projecto it’s not the sun who is moving, do artista Luis Macías, será apresentado como instalação no Palácio Sinel de Cordes, no âmbito do Open House Lisboa.

Para o público mais novo, o IndieJúnior apresenta um programa com 45 filmes, incluindo três estreias mundiais e várias produções portuguesas. O destaque vai para Olívia e o Terramoto Invisível, de Irene Iborra. A secção inclui ainda actividades paralelas, como oficinas e uma festa ao ar livre no jardim da Biblioteca Palácio Galveias, reforçando a dimensão educativa e familiar do festival.

A edição de 2026 volta assim a afirmar o IndieLisboa como um espaço de encontro entre diferentes formas de cinema, combinando estreias, revisitações e propostas que exploram novos formatos de exibição.

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