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Entrei na Grande Pirâmide de Gizé. Foi mágico, mas nunca mais lá volto

Já se perguntou como é estar dentro da mais antiga maravilha do mundo?

Leonie Cooper
Escrito por
Leonie Cooper
Food & Drink Editor, London
Great Pyramid of Giza
Photograph: Leonie Cooper for Time Out
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Estou a rastejar por um túnel surpreendentemente apertado dentro da Grande Pirâmide de Gizé e, sejamos honestos, estou em pânico. Durante 3800 anos foi a mais alta estrutura do mundo construída pelo homem (até ser ultrapassada pela traidora Catedral de Lincoln, em 1311). Mede uns impressionantes 140 metros, continua a ser mais alta do que a Estátua da Liberdade e bem mais imponente do que o Big Ben. Ainda assim, apesar do estatuto lendário, por dentro é quente, húmida e profundamente claustrofóbica. Quem diria?

A tunnel inside the Great Pyramid of Giza
Fotografia: Leonie Cooper para a Time Out

Nunca tinha pensado seriamente em entrar na mais antiga das Sete Maravilhas do Mundo, mas aqui estou eu numa fila que faz parecer ridícula a fila à porta da Toad Bakery, em Londres, à hora de almoço. Também estou de gatas, a tentar não bater com a cabeça em pedras ali postas há mais de 4000 anos.

São apenas cerca de 100 metros desde a entrada até à Câmara do Rei, que está vazia, à excepção do sarcófago de pedra de Quéops, saqueado há milénios. Mesmo sendo uma distância curta, demora cerca de 15 minutos a percorrê-la, por causa das filas em sentido único e do rastejar constante. A Câmara do Rei é pequena e, estranhamente, faz lembrar um Boiler Room, com o sarcófago a parecer uma mesa de mistura e um homem de pé atrás dele, confiante, como se estivesse a fazer um set.

People inside the King’s Chamber, Great Pyramid of Giza, Egypt
Inside the King’s Chamber | Fotografia: Leonie Cooper para a Time Out

O túmulo em si é minúsculo e pouco há a fazer para além de ali ficar, rosado, pegajoso e meio esmagado pela experiência, enquanto um segurança solitário se oferece para tirar fotografias e pede silêncio. Os tempos mudaram bastante desde que o ocultista Aleister Crowley e a mulher ali passaram a noite em lua-de-mel e realizaram vários rituais, em 1904.

Depois de cinco minutos a respirar fundo e a tentar perceber quão antiga é esta estrutura (e como raio foi construída), chega a hora de sair. Voltamos à luz do dia de cara vermelha e atónitos.

Foi uma das mais extraordinárias experiências da minha vida? Sim. Voltaria a fazê-la? Nem pensar.

The Egyptian Pyramids
Fotografia: Leonie Cooper para a Time Out

Entrar numa pirâmide é apenas uma das muitas experiências únicas encaixadas numa viagem épica de três dias e meio ao Cairo. Estou aqui numa tour da Jules Verne, com um pequeno grupo a deambular por Mênfis (a antiga capital do Egipto), a necrópole de Saqqara, a Pirâmide de Degraus de Djoser e a Grande Esfinge de Gizé no primeiro dia. No dia seguinte, percorremos o novíssimo Grande Museu Egípcio, com pausa para almoço a bordo de uma feluca tradicional no Nilo.

Step Pyramid of Djoser
Fotografia: Leonie Cooper para a Time Out

O terceiro dia é uma corrida pelos últimos dois milénios, por igrejas da era bíblica e fortalezas medievais até à sinagoga mais antiga do mundo, tudo parte do Património Mundial da UNESCO conhecido como Cairo Antigo. Ainda há tempo para uma refeição caseira, com curgetes recheadas incríveis e um suculento chicken pane, numa casa egípcia animada por um gatinho caótico.

Tudo isto acontece sob a batuta segura de um guia local que sabe mais sobre o Egipto do que qualquer podcast de história. Moustafa é um manual ambulante, a despejar factos a cada esquina. Quer saber sobre a vida dos faraós, da pioneira Hatshepsut ao poderoso Ramsés II? O irreprimível Moustafa, arqueólogo fora de serviço, tem todas as respostas.

Old Cairo
Fotografia: Leonie Cooper para a Time Out

O Cairo é o tipo de cidade onde um guia faz toda a diferença, filtrando 5000 anos de história em pedaços digeríveis enquanto atravessamos a metrópole e o trânsito épico na nossa carrinha. O motorista dedicado, contratado pela Jules Verne, acompanha-nos durante toda a viagem, incluindo transfers de aeroporto, o que nos poupa a ginástica habitual de Ubers e Google Maps.

Claro que não somos o único grupo turístico no Cairo, mas o nosso é dos mais pequenos, o que dispensa auriculares impessoais e microfones. Em vez disso, criamos uma relação próxima com o guia, especialmente útil ao percorrer o Grande Museu Egípcio.

Grand Egyptian Museum
Fotografia: Leonie Cooper para a Time Out

Aberto há pouco mais de um mês quando o visitámos, é o maior museu do mundo dedicado a uma única cultura. As obras começaram em 2002 e o acervo ultrapassa os 100 mil objectos. Passámos lá quase quatro horas e mal arranhámos a superfície. Dá para passar uma manhã inteira só no átrio.

RECOMENDADO: As primeiras imagens do novíssimo Grande Museu Egípcio

O grande chamariz é a colecção completa do túmulo de Tutankhamon, com mais de cinco mil peças reluzentes, incluindo a icónica máscara funerária em ouro. Chamar-lhe simplesmente deslumbrante seria pouco. Pode ter mais de 3500 anos, mas continua gloriosamente excessiva. E é bom vê-la, finalmente, onde pertence, em casa, no Egipto.

À procura de um fim-de-semana longo cheio de acção e disposto a comprimir 5000 anos em três dias? Esta é a viagem certa. Ataque de pânico induzido por pirâmide opcional.

Leonie Cooper viajou a convite da Jules Verne, na tour Gems of Cairo: Pyramids & Museums. As nossas críticas e recomendações são editorialmente independentes desde 1968. Para mais informações, consulte as nossas normas editoriais.

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