[category]
[title]
Chama-se Hands On e é uma espécie de directório de coisas para fazer na cidade, mas com foco na vertente DIY.

Diogo Infante do Carmo faz surf desde os 11 anos e dá aulas desde os 15. Hoje, ajuda também pequenos empreendedores, de ceramistas a profissionais da culinária, a dar a conhecer o seu trabalho através de workshops. Ao mesmo tempo, facilita a vida a quem quer aprender algo novo, ajudando a descobrir as melhores actividades para fazer nas suas cidades. Para isso, co-fundou, com Thomas A., a Hands On, uma plataforma que reúne mais de 800 experiências ao vivo e em comunidade, de norte a sul do país.
Formado em Turismo, Diogo estava a trabalhar numa empresa de gestão de apartamentos quando decidiu que, perante a crise da habitação, não tinha interesse em continuar – de certa forma, sentia-se cúmplice da especulação imobiliária. “Eu próprio dificilmente poderia comprar ou alugar uma casa, e comecei a pensar no que é que eu poderia fazer que funcionasse como marketplace e ajudasse o consumidor final, mas que também estivesse de facto alinhado com os meus valores”, explica-nos, através de videochamada.
Com presença em sete zonas – Porto, Lisboa, Cascais, Sintra, Setúbal, Alentejo e Algarve –, a Hands On funciona essencialmente como um directório de experiências, divididas em nove categorias: artes e ofícios, comida e bebidas, casa e DIY, plantas e animais, mente e alma, desporto e fitness, música e espectáculos, fotografia e vídeo, e competências linguísticas e empresariais. Na prática, o que é que isto significa? Que agora ficou mais fácil descobrir, num único site, onde podemos aprender a fazer joalharia ou pão de massa-mãe ou a costurar à máquina ou a fazer leituras de tarot ou a tocar bateria, entre tantas outras coisas “para aprender com as mãos, com professores locais”.
O lançamento ocorreu no ano passado e, agora que acreditam ter provado o sucesso do projecto, não só querem chegar a mais pessoas – que ensinem e que aprendam –, como estão prestes a internacionalizar-se, com as primeiras experiências no estrangeiro, em Madrid. O espírito, esse, mantém-se. O objectivo é, por um lado, ajudar pessoas a transformar as suas “skills” em rendimentos; e, por outro, promover experiências offline que combatam a crescente fadiga digital e a necessidade, cada vez mais óbvia, de nos desconectarmos dos ecrãs em busca de momentos analógicos e comunitários.
“Sendo recém-chegada a Portugal, queria fazer workshops e participar em actividades estimulantes, mas não sabia por onde começar. A Hands On deu-me os recursos necessários para dar asas a este interesse, ao mesmo tempo que conheço artesãos muito talentosos. Já fiz de tudo: desde desenho e pintura até joalharia, cerâmica e massa fresca”, partilha norte-americana Aegina Barnes. “O Hands On é o primeiro site que consulto quando sei que vou estar em Lisboa, e adoro o facto de poder guardar os workshops que me interessam e receber um e-mail assim que ficam disponíveis.”
Já para os professores, a Hands On oferece uma série de serviços para facilitar a gestão e promoção do negócio, cobrando uma comissão de 15%, mais IVA, por reserva. “Não há taxas mensais nem custos iniciais, nem encargos ocultos”, garante-se na plataforma. Diogo confirma: “Ajudamos a digitalizar, no sentido em que damos as ferramentas ou até fazemos por eles o marketing, além de ajudarmos quem não tem capacidade económica ou tecnológica para fazer o seu próprio site, porque no fundo estamos a dar-lhes um espaço online e a conectá-los com empresas, que é algo mais difícil de fazerem sozinhos. Nós obviamente ganhamos uma comissão, mas só ganhamos se trouxermos reservas”, esclarece, acrescentando que procuram garantir a qualidade dos workshops anunciados na plataforma.
“Agora somos bastante exigentes. No início, percebemos que havia workshops onde se explicava mais do que àquilo que se fazia e tivemos de explicar que se é Hands On é mesmo 'hands on'. Hoje em dia, fazemos sempre uma entrevista, porque queremos evitar scam e perceber se as pessoas estão à-vontade, se já deram aulas antes e, se não deram, como é que as podemos apoiar. Desafiamo-los sempre a juntar primeiro um grupo de amigos e fazemos imensas perguntas no onboarding, para ficarmos logo a perceber o nível do professor e da aula. Além disso, os alunos podem fazer review na plataforma e isso ajuda-nos também a perceber como está a correr. Aliás, até vamos começar a incentivar as pessoas a fazer mais reviews: ganham cinco euros de desconto na experiência seguinte.”
Para Sarah Silva, que organiza os workshops da EcoLife Workshops, a experiência tem sido positiva: “A plataforma é intuitiva e funcional, o que torna a gestão de tudo muito mais fácil.” Além de funcionar como montra, dá acesso a ferramentas de reserva, mensagens, pagamento e facturação, bem como a uma comunidade de mais de 180 professores, que partilham ideias e oportunidades, e alcance através de newsletters e presença nas redes sociais. “Temos inclusive um blogue, onde escrevemos sobre as experiências, e estamos agora a criar features adicionais. Por exemplo, criámos uma maneira das pessoas seguirem um professor específico, que queiram, para que possam receber notificações sempre que há novas datas disponíveis.”
Em breve, a plataforma deverá receber uma actualização, para melhorar a experiência dos professores, mas também para “gamificar” um pouco mais a experiência do ponto de vista do utilizador. “Estamos nos testes finais do novo site, que vai ter perfis mais completos, que as pessoas vão poder colocar públicos se quiserem.” Outra novidade é a emissão de cartões presente: “Nós já emitimos gift cards personalizados para qualquer experiência, com apenas um clique, e entretanto vamos lançar também gift cards físicos para este Natal, que vão ficar disponíveis em locais como a Fnac, Worten e El Corte Inglès.” Depois disso, esperam entrar em Espanha em grande e, se tudo correr bem, “not taking over Europe, mas...”
📲 Siga-nos nas redes sociais: Whatsapp, Instagram, Facebook e LinkedIn
Discover Time Out original video