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Casos de animais em stress e turistas descontrolados levaram a nova legislação, que será implementada a partir de Outubro.

É compreensível que, depois de avançar silenciosamente durante o que podem ser horas a fio, a tão aguardada aparição de um tigre resplandecente lhe dê vontade de agarrar no telemóvel. Mas se estiver a fazer um safari na Índia, em breve não poderá tirar uma fotografia da criatura.
Já em Novembro de 2025, o Supremo Tribunal do país aprovou a proibição do uso de telemóveis em reservas de tigres por toda a Índia, em grande parte devido ao comportamento cada vez mais prejudicial por parte dos turistas. Espera-se que a proibição entre em vigor a partir de Outubro deste ano, após o fim da época das monções.
Mas o que é exactamente o mau comportamento dos turistas? Bem, “em muitos aspectos, é o caso clássico de uma minoria estragar as coisas à maioria”, disse o director-geral da TransIndus, Amrit Singh, à Wanderlust. “As autoridades dos parques começaram a ficar preocupadas com o número crescente de visitantes a perturbar a vida selvagem e a colocar-se a si próprios, aos guias e aos naturalistas em risco, simplesmente em busca de selfies ou de imagens para as redes sociais.”
E, embora seja uma pena que alguns tenham estragado a tantos outros a possibilidade de tirar fotografias, há um par de casos alarmantes que ajudam a perceber por que razão esta medida é necessária.
Em Fevereiro, relatos do Parque Nacional de Ranthambore detalharam um tigre em pânico, rodeado por veículos de visitantes a gritar e a tirar fotos, a lutar para conseguir recuar para a selva em busca de refúgio. Noutros casos, houve pessoas que deixaram cair os telemóveis e mergulharam para fora da segurança do veículo para os recuperar. Ah, e depois houve a vez em que uma criança foi atirada acidentalmente para fora de um jipe numa corrida louca para tirar fotos, o que não só colocou a sua vida em risco, mas também a do guia que saltou para a salvar.
Os “engarrafamentos de safari” tornaram-se um problema bastante grave, enquanto os safaris nocturnos levam frequentemente a muitas fotografias com flash, o que perturba os animais. Existem até preocupações de que as comunicações móveis sem restrições possam facilitar a actividade de caça furtiva através da partilha de localização em tempo real.
Os operadores turísticos têm seis meses para implementar as medidas descritas nesta proibição, como a instalação de cacifos seguros para os visitantes guardarem os seus telemóveis. Qualquer visitante que não cumpra as regras poderá ter de pagar uma multa, e qualquer parque que não as aplique poderá ver a sua licença de safari revogada.
Vale a pena notar que os fotógrafos que transportem equipamento digital e de vídeo poderão continuar a fazê-lo, desde que a sua conduta ao captar as imagens seja responsável.
Nem tudo são más notícias – devido ao sucesso na recuperação e preservação da população de tigres do país, os números em toda a Índia duplicaram efectivamente. É esta população florescente que tem contribuído para um aumento do turismo de observação de tigres.
Aliada ao objectivo de limitar os “engarrafamentos de safari” e o uso de telemóveis, a legislação planeia também limitar o desenvolvimento urbanístico nas áreas circundantes às reservas naturais.
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