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Este estúdio português quer pôr-nos a jogar (à mesa e na praia)

Felipe Cruvinel cria jogos de tabuleiro desde os oito anos. Agora também os vende. Um deles é para toda a família, a partir dos seis anos, e é tão portátil que até dá para levar para a praia,

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Goose Game Studio
DR
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Encontramo-lo pela primeira vez na Avenida Duque de Ávila, no Saldanha. Chama-se Felipe Cruvinel e está a vender jogos de tabuleiro. “Tenho uma pequena equipa”, explica-nos, visivelmente entusiasmado. São os Goose Game Studio e de momento têm disponíveis dois jogos, um deles perfeito para jogar em família com membros a partir dos seis anos, mas o que não lhes falta são ideias e vontade de as pôr em acção. Acção é, aliás, a palavra de ordem. Quando lhe perguntamos como se joga, responde: “jogando”.

Tudo começou quando Felipe tinha oito anos, por causa de um jogo de Monopólio. Lá em casa, eram fãs das “regras da casa, como acontece em todas”, recorda Felipe, agora com 34 anos. “Mas aquilo que já era um jogo chato transformava-se em três horas de seca, em que toda a gente ficava a dever dinheiro ao meu tio. Até que um dia resolvi tratar do assunto e fiquei um dia e uma tarde inteira a pensar como poderia criar um jogo muito superior, chamado Felipólio, que depois os obriguei a jogar”, conta, entre risos.

Mais tarde foi estudar Relações Internacionais e Segurança Internacional, mas a curiosidade e a criatividade nunca o abandonaram – na verdade, foi por causa de um doutoramento na Escócia que o que era só um passatempo começou a parecer-lhe um caminho profissional a sério. “Comecei a dar seminários e, como não queria só estar ali a falar, resolvi criar jogos para ensinar as matérias”, revela. “Fez tanto sucesso que às tantas tinha 22 pessoas dentro de uma sala onde era suposto ter metade.”

Goose Game Studio
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A certa altura, Felipe juntou-se a um grupo de investigação que trabalhava no Ministério da Defesa do Reino Unido, e durante cerca de três anos fez jogos de guerra e simulações. “Isso também fortaleceu esta minha ambição”, confessa, embora só tenha criado o seu estúdio um ano depois de regressar a Portugal, no final de 2023. Estava a trabalhar como guia turístico quando surgiu a oportunidade de desenvolver um jogo para a Ambigroup – foi o primeiro projecto de muitos. No final de 2025, estava reunida a equipa, incluindo o designer Enzo Grimaldi.

O jogo mais acessível que têm à venda chama-se Plot – Intriga na Corte (10€) e é uma espécie de Jogo do Galo, mas com vários twists, ou melhor, “várias jogadas de cartas tácticas”. “A primeira versão criei-a em 2015, na Escócia, numa cabana no meio do nada. Era para ser um jogo rápido, só para passar o tempo. Fui testando ao longo de anos e vendi imensas cópias do protótipo antes de decidir fazer disto um negócio”, partilha. “Eu jogo isto com o meu sobrinho de cinco anos e ele adora. A ideia era mesmo isso, porque sempre fui crente que informação e dedução é uma mecânica universal que adiciona complexidade sem adicionar dificuldade.”

Goose Game Studio
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As personagens são as figuras nobres do baralho tradicional — Rei, Rainha, Valete, Cavaleiro e Joker —, cada uma com diferentes níveis de força. A dinâmica é simples mas estratégica: ao jogar ao Galo, as cartas são colocadas voltadas para baixo. Isto convida o adversário a arriscar jogar uma carta directamente sobre a nossa. Se aceitarmos o desafio e a carta que ele lançar for superior, conquista o lugar no tabuleiro. Mas a melhor forma de perceber como de facto se joga é, insiste Felipe, jogando. Não se cansa de o repetir. “Memorização não é conhecimento. Percebemos muito melhor como as coisas funcionam se as fizermos.”

O mesmo acontece com Caravela (15€), em torno das Grandes Navegações e do comércio de especiarias. Mas esse é para jogadores mais experientes, avisa, antes de nos convidar a experimentar. Felipe gosta de apresentar os seus jogos ao vivo, em feiras como esta, mas também em bares e convenções de jogos, como a Leiriacon. “É a maior convenção de jogos de tabuleiro em Portugal. Antigamente também havia uma Lisboa. Agora há dois grupos de boardgamers em Oeiras e na Amadora. Eles fazem encontros semanais, abertos a quem quiser juntar-se, e acho que o grupo de Oeiras está a pensar criar uma convenção. Acho que as pessoas gostam de cada vez mais, é uma forma de nos afastarmos dos meios digitais e de nos conectarmos uns com os outros.”

Em breve, deverá haver mais jogos disponíveis, como o Panteon, para jogadores a partir dos oito anos. Os personagens são deuses de diferentes mitologias e o objectivo será fazer knock-out aos outros deuses, sozinho ou em equipa. “É uma espécie de Uno competitivo”, antecipa. “Tem sido um sucesso nas nossas visitas a cafés e convenções. As pessoas têm gostado imenso, então estamos ansiosas por mandar para produção.” Por agora, está a preparar-se para uma feira na sexta-feira e sábado, 1 e 2 de Maio, na Lx Factory, e outra no dia 3, no Centro Cultural de Belém. “Vou lá estar das 10.00 às 18.00.”

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