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Eufémia está de volta para “criar espaços de poder para vozes diversas”

A programação do festival, que este ano se prolonga até 8 de Novembro, inclui desde exposições até espectáculos de teatro e dança.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Penolopíada
Beth Freitas | Penolopíada, no Festival Eufémia
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“Questionar desigualdades e criar espaços de poder para vozes diversas.” É este o objectivo do Festival Eufémia, que tem procurado promover a reflexão crítica sobre o universo das mulheres nas artes performativas. A terceira edição arranca a 29 de Outubro e prolonga-se até 8 de Novembro, na Biblioteca de Marvila e no Auditório Camões. A programação inclui espectáculos de teatro e dança, além de formações em artes cénicas, diálogos e actividades complementares que incluem uma performance-jogo, uma instalação, uma oficina de poesia musicada e duas exposições.

O grupo Eufémias nasceu em 2020, pelas mãos de seis artistas, investigadoras e formadoras da Argentina, do Brasil e de Portugal. Um ano depois, estreou-se o Festival Eufémia – o nome é uma homenagem a Catarina Eufémia que, morta a tiro no Alentejo numa carga policial que dispersava um protesto operário, tornou-se mártir da luta popular contra o regime de Salazar. Agora, em 2025, propõe uma edição focada em “Género, Memória e Resistência em Cena”, com criações de artistas oriundos de Portugal, América Latina, África e Médio Oriente.

“Destacam-se projectos que dialogam com a ancestralidade, a diáspora, o luto e a desconstrução de estereótipos e de narrativas clássicas sobre as mulheres, reafirmando a multiplicidade dos saberes impressos nos seus corpos”, lê-se em comunicado da organização. “Há também projectos que reinventam em cena memórias autobiográficas ao serviço de uma dimensão política comprometida que habilita a pensar o colectivo, transcendendo fronteiras geográficas e culturais.”

O arranque acontece a a 29 de Outubro, às 21.30, na Biblioteca de Marvila, com entrada livre. Flávia Gusmão apresenta #3 Musa Acuminata Cavendish, com o grupo de Batucadeiras Finka Pé. Trata-se de um trabalho de partilha, a partir de processos de luto dos seus intervenientes e é a terceira parte de cinco de NA LUT@, um projecto de longa duração sobre o luto e a memória, dedicado à activista e produtora cultural cabo-verdiana Samira Pereira, falecida em 2021.

Seguem-se mais dez espectáculos, incluindo, por exemplo, a ante-estreia de Penolopíada, de Susana Cecílio, que percorre grandes mitos através das mãos e da voz de Penélope, que conhecemos como a esposa de Ulisses (30 Out, Qui 15.15); a performance Pai para Jantar, de Gaya de Medeiros, que se propõe a investigar os pormenores da masculinidade com poesia e bom humor, num jogo com o público (5 Nov, Qua 21.00); e o solo Uma Carta para a Minha Mãe, do artista sírio Shadi Alaiek, que reflecte sobre os conceitos de masculinidade tradicional, sexualidade e expressão de género por parte de um filho muçulmano, ao mesmo tempo que sublinha a opressão sofrida pelas mães muçulmanas (6 Nov, Qui 15.15).

A programação inclui ainda duas formações em artes cénicas, dois diálogos e actividades complementares, nomeadamente um jogo-performance, uma oficina performativa de poesia musicada, uma instalação-performance e duas exposições. Para não perder pitada, o melhor é consultar a agenda completa online. Algumas das actividades são de entrada livre, mas é necessária reserva online. Para os espectáculos pagos, os bilhetes variam entre 5€ e 8€.

Biblioteca de Marvila e Auditório Camões. 29 Out (Qua)-5 Nov (Sáb). 5€-8€ (espectáculos), 15€-50€ (formações). Para os espectáculos de entrada livre, é necessário fazer reserva no site do festival.

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