[category]
[title]
Esta residência queer, criada pela DJ e artista MEIBI, pretende ser uma experiência inclusiva e imersiva, em que a dança, a performance e a arte se cruzam numa celebração da diferença.

O nome EXOTIKA, conta MEIBI à Time Out, é uma apropriação positiva de uma palavra que ao longo da sua vida foi usada para excluir. “A palavra exótica sempre foi utilizada de uma forma negativa. Eu quis relembrar a palavra e dar um motivo diferente, um motivo de celebração”. Por esta razão, foi a palavra adoptada para baptizar a nova festa e residência queer no Lux Frágil, um evento atento a todos os detalhes, desde a curadoria musical até às casas de banho gender neutral.
MEIBI é o nome artístico de Chen Mei, DJ e artista residente de Portugal e com origens na Ásia Oriental, que já actuou em espaços como o Outra Cena, Gare Porto, Musicbox e a Galeria Zé dos Bois, mas também em palcos internacionais como o Boiler Room, Corsica Studios (Londres), Renate (Berlim) e Golden Pudel (Hamburgo).
Criada pela DJ, a EXOTIKA nasce da sua vontade de reinventar o clubbing e de celebrar a diferença. “A EXOTIKA acaba por ser um projecto de uma reflexão através do meu trabalho enquanto DJ. Notei durante esse percurso que faltava uma celebração da diferença, ou seja, não só por questões de género ou de raça, mas sinto que na intersecção entre estas causas havia espaço para desenvolver algo. E foi daí que surgiu a EXOTIKA”.
MEIBI sentiu a necessidade de criar um espaço que unisse causas sociais e arte, propondo uma celebração das diferenças que se manifestam no género, na etnia e na identidade. O projecto visa também recolocar Lisboa no mapa global da cultura queer, projectando a cidade como centro de inovação musical e social.
Esta festa realiza-se em formato bimestral na conhecida discoteca lisboeta, combinando festa, performance e arte. “A EXOTIKA, neste momento, no formato físico, é uma residência no Lux Frágil e celebra-se através de uma festa. O foco é uma plataforma multidisciplinar com apoio a comunidades que são subrepresentadas, e tem o objectivo de ligar os diferentes formatos de arte que se têm perdido na cultura de clubbing, nomeadamente, a ligação entre a dança, a new media, concertos, DJs e tudo o resto que existe”, explica MEIBI.
A experiência sensorial e estética é um dos elementos centrais, por isso, existem performances, obras visuais e espaços cuidadosamente concebidos para transformar a noite em algo imersivo e transgressor. "Existe uma energia muito contagiante, que ajuda a desmontar as construções sociais. Queremos criar um espaço seguro e livre para que as pessoas não sintam que estão a cometer um erro", reforça a artista.
MEIBI sublinha também a importância de respeitar o momento presente: embora não haja restrições formais, sensibiliza-se o público para reduzir registos fotográficos e vídeo, evitando que a imagem se sobreponha à experiência e ao colectivo da pista.
Desde a sua primeira edição, em Fevereiro, a EXOTIKA tem apresentado uma programação que equilibra artistas internacionais e locais, com um forte foco na comunidade queer. Entre os nomes internacionais destacam-se Slim Soledad, da cena brasileira, ou Mama Snake, conhecida por uma abordagem mais nicho. MEIBI enfatiza: “O propósito é ser uma plataforma para artistas locais, especialmente artistas da comunidade queer ou imigrantes, mas a vertente musical é muito diversa, não queremos fixar-nos apenas nas raízes da música electrónica”.
O próximo evento acontece no dia 23 de Outubro, seguindo-se outra edição a 4 de Dezembro. A residente em destaque na próxima edição será Lyra Pramuk, artista de ambient que integra manipulação de voz e fortes componentes visuais. Nesse mesmo dia actuam ainda Dexter, MEIBI e marum. No bar estarão X1000 e COLINAS. Nas performances, Samba e Izabel Nejur.
Para o futuro próximo, MEIBI quer consolidar a residência no Lux Frágil, um dos principais espaços da noite lisboeta. Mais além, a EXOTIKA pretende alcançar visibilidade internacional, levando a experiência queer e artística da cidade para outros palcos do mundo. “Espero que tenhamos também exposição internacional e que possamos fazer showcases da EXOTIKA pelo mundo fora”, adianta a artista.
Mais do que uma festa, a EXOTIKA quer ser um movimento cultural e social. “A nossa estética é diferente, é exótica, e é isso que pretendemos ser, a celebração da diferença. Queremos mostrar que é bonita e confortável e pode ser integrada com tudo.”
Lux Frágil (Santa Apolónia). 23 Out (Qui) 21.00-06.00
👀 Está sempre a voltar para aquele ex problemático? Nós também: siga-nos no X
Discover Time Out original video