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Os governos de Portugal e Espanha anunciam “um conjunto de acções concretas” para aproximar as capitais ibéricas, incluindo um projecto de alta velocidade.

Lisboa e Madrid deverão estar ligadas por uma linha ferroviária até 2030. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 30 de Outubro, pelos governos de Portugal e Espanha, que garantem estar empenhados em acelerar as obras dos troços que faltam para concretizar um dos projectos mais antigos da cooperação ibérica.
“A nova ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid representa uma alternativa mais competitiva do ponto de vista de custo e conveniência para os passageiros dos mais de 40 voos diários entre as duas capitais, promovendo também a transferência modal para um transporte com menor pegada carbónica”, lê-se em comunicado do ministério português das Infraestruturas e Habitação, que destaca a “definição de um conjunto de acções concretas que permitirão estabelecer as ligações ferroviárias”.
Actualmente, a viagem de comboio entre as duas capitais leva mais de nove horas e exige vários transbordos. Com a nova linha, o percurso poderá ser feito em cinco horas numa primeira fase, e em três horas até 2034, com uma ligação de alta velocidade.
Do lado espanhol, a electrificação do troço entre Plasencia e Badajoz, que passa também pelas cidades de Cáceres e Mérida, já está concluída, e espera-se que o troço entre Plasencia-Talayuela entre em operação até 2028. Em Portugal, decorrem as obras do Corredor Internacional do Sul, com destaque para a ligação de alta velocidade entre Évora e Caia, em Elvas, apontada como essencial para o sucesso do projecto e que deverá entrar em operação ainda em 2026.
Para o próximo ano inicia-se ainda a construção da segunda via portuguesa, entre Poceirão e Bombel, cuja conclusão deverá acontecer até 2029, com entrada em operação no ano seguinte, segundo o Ministério das Infraestruturas e Habitação. Além disso, estão a decorrer estudos para a construção de “uma nova linha de alta velocidade Lisboa-Évora, incluindo a Terceira Travessia sobre o Tejo”.
Está também prevista a implementação do sistema europeu de gestão de tráfego ferroviário (ERTMS – European Rail Traffic Management System) em diferentes trechos entre as capitais de Portugal e Espanha, bem como elaboração de estudos e eventual construção do novo troço de alta velocidade entre Elvas e Badajoz e da Estação Ferroviária Internacional Elvas-Badajoz, na fronteira entre os dois países.
“Para além da implementação progressiva do sistema europeu de gestão de tráfego ferroviário até 2034, Portugal e Espanha comprometem-se a avaliar os custos e benefícios sócio-económicos e impacto para a interoperabilidade da migração da bitola ibérica para a bitola europeia padrão até 2027. No caso de avaliação favorável, os dois países apresentarão um plano devidamente coordenado para a migração de bitola”, lê-se também no comunicado do governo português.
De recordar ainda que a União Europeia incluiu a ligação Lisboa-Madrid no plano TEN-T, a rede transeuropeia de transportes, garantindo assim financiamento comunitário, uma vez que Bruxelas quer que todas as capitais europeias estejam ligadas por comboios de alta velocidade até 2040, e esta rota é uma das prioridades no sul da Europa.
A nova ligação deverá impulsionar o turismo, os negócios e o intercâmbio cultural entre os dois países. Estima-se também que reduza significativamente as emissões de dióxido de carbono ao deslocar passageiros dos voos de curta distância para o transporte ferroviário. O calendário é, contudo, ambicioso, tendo em conta os atrasos históricos em obras de grande dimensão. Questões técnicas como a interoperabilidade dos sistemas ferroviários e o financiamento total da infra-estrutura continuam em cima da mesa.
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