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No CLIMA Lab tudo se cruza: fotografia, música, tatuagens e eventos. Este novo espaço nasce para ser um ecossistema criativo, onde qualquer ideia pode ganhar forma.

Junto à Escola Artística António Arroio, abriu um espaço discreto, mas com uma ambição desmedida. Um espaço que quer ser mais do que um simples estúdio ou um co-work. O CLIMA Lab nasce como um ecossistema criativo, multidisciplinar e em permanente mutação. É estúdio de fotografia e música, produtora de eventos, espaço de tatuagens e até palco de workshops e pequenas apresentações. Um lugar onde, como dizem as fundadoras Joana Duarte Campos e Inês Duarte Campos, “qualquer pessoa pode chegar com um conceito e sair com uma criação”.
A génese do CLIMA Lab não é linear. O espaço, antes abandonado, esteve quase um ano fechado até que o senhorio decidiu voltar a dar-lhe uso. “Isto era um buraco completamente abandonado. Quando nós cá chegámos era literalmente um buraco”, recorda Joana. Foi o pai, Mário Magalhães, que viu o potencial do lugar, quando fazia obras noutros espaços, e que acabou por assumir a frente das remodelações. Sem ele, afirma o casal, nada disto teria sido possível: “Não só pelo apoio financeiro ou por ter realizado as obras, mas sobretudo pela confiança. Estivemos dois meses fora — a trabalhar no Boom —, e quem teve de tomar todas as decisões foi ele”, sublinha Joana.
O plano inicial de Joana e Inês não passava por Lisboa. “O CLIMA não era um sonho, nós criámos o sonho de ter o CLIMA”, começam por explicar. “Nós íamos emigrar, estávamos prontas para nos mudarmos para Barcelona em Setembro, depois de trabalharmos no Boom Festival. Já estava tudo definido”, conta Inês. Mas a oportunidade de agarrar este espaço fê-las mudar de rota: “Podíamos ter decidido que não, que estava já tudo decidido e íamos embora. Mas íamos ficar sempre com isso na cabeça: e se resultasse? E se fosse fixe? E o que poderia ter nascido aqui?”. A resposta acabou por ser o CLIMA Lab.
O nome não foi escolhido ao acaso. CLIMA é uma sigla que resume a visão do projecto: Criação, Liberdade, Inovação, Movimento e Arte. Cada espaço corresponde a uma destas dimensões. O estúdio de fotografia é o espaço Liberdade, pensado para ser o recreio de Joana, fotógrafa de profissão. “Daí veio a ideia inicial, de fazer um estúdio de fotografia”, explica. O estúdio inclui um ciclorama, que é uma "parede infinita", e já recebeu sessões fotográficas e eventos.
O estúdio de tatuagens, com dois tatuadores residentes – o Charrua e a Hanna (com o nome artístico Maga) –, representa a vertente Arte. “Eles já cá estavam antes de nós estarmos prontos para os receber, porque as obras atrasaram-se muito”, recorda Joana. Há ainda o espaço Movimento, uma área aberta a pequenos eventos, workshops, lançamentos de livros ou até apresentações intimistas de peças de teatro, que inclui ainda o pequeno jardim-lounge, pensado para clientes e amigos. O espaço Inovação encontra-se em construção: será o estúdio de som, em parceria com o produtor musical Alex Guzzo. O espaço Criação é no andar de cima, onde está instalado o escritória de ambas e onde surge as ideias que ajudam a colocar este projecto a mexer.
Para as fundadoras, a missão do CLIMA é clara: ser um espaço de encontro, onde a arte nasce e é partilhada de forma fluida. “Nós não somos de todo uma galeria de arte, nem queremos ser, mas queremos muito que a arte chegue às pessoas de uma forma quase inusitada. Por exemplo: marcas uma acção fotográfica ou vens fazer uma tatuagem e esbarras numa peça de arte”, explica Inês. No espaço já expuseram artistas como Maria Ferro e Maria Luz, e a ideia é ir rodando regularmente.
Um dos principais objectivos deste espaço é oferecer um serviço completo a cada artista. Imaginemos: um músico pode vir até aqui, conceber e imaginar as suas canções, gravar a música, tratar da parte da imagem, com sessões fotográficas ou fazer um videoclip, e conseguir actuar em eventos e concertos. “O objectivo no futuro é sermos uma produtora completa. Produzirmos artistas da música, produzirmos conteúdos para marcas, influencers, restaurantes. Isto é uma incubadora de arte”, diz Joana. “O nosso objectivo é que, facilmente, quando alguém disser ‘trabalhei com o CLIMA’, toda a gente saiba quem é o CLIMA”, acrescenta Inês.
O espaço já teve a sua inauguração, em Setembro, com um programa que incluiu concertos, de Marta Lima, DJ sets, de Alex D’Alva e DJ Tita Machado, e workshops de cerâmica. A ideia é manter a regularidade das actividades, pelo menos uma vez por mês. “Queremos incitar a que as pessoas cá venham e conheçam. Pode ser uma matiné com DJ, um workshop, um concerto. O objectivo é haver sempre algo a acontecer”, garantem. Já há planos para workshops de cerâmica com a artista Shokki, mas pretendem também fazer sessões de cinema, mercados de Natal ou oficinas de ilustração.
Mas o CLIMA não quer fechar-se apenas à sua comunidade imediata. A ideia é funcionar como plataforma aberta a parcerias e novas ideias. “O objectivo é estarmos sempre neste vai e vem. Nós pensarmos em ideias, mas também recebermos propostas. Se sonhas, nós conseguimos fazer”, resume Inês.
Rua Luís Monteiro, 56A (Alto do Pina)
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