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Gradiva junta-se à Guerra & Paz com a “jubila­ção” de Guilherme Valente

A editora fundada por Guilherme Valente passará a ser gerida pelo editor Manuel S. Fonseca. O acordo será formalizado em breve.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Feira do Livro 2024
Fotografia: Sara Choupina | Feira do Livro 2024
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A editora Gradiva, fundada em 1981, passará a ser gerida pelo grupo Guerra & Paz. A notícia foi avançada num comunicado conjunto, no qual se explica também a decisão de Guilherme Valente que, aos 84 anos, acredita ter chegado a hora de se “jubilar” após 45 anos de dedicação à causa editorial e “a essa galáxia a que se chama livro, à descoberta de autores, à invenção de títulos”.

“Não é este o lugar para se esboçar, sequer, o que seria uma biografia rica de histórias, de batalhas, de muitas glórias. Ciente do património editorial que edificou, do seu valor literário e científico, Guilherme Valente fez uma escolha para o futuro que agora começa: integrar a Gradiva num projecto editorial que garanta a autonomia da sua editora como empresa e seja fiel à identidade editorial que a caracteriza”, lê-se na mesma nota, partilhada no Instagram.

Se eu tivesse menos 10 anos veria seguramente a crise que vivemos – crise de cultura, de conhecimento, de exigência intelectual, de leitura de obras de qualidade, que é por isso uma crise da verdade e de liberdade – como um desafio e um estímulo para novos combates”, diz Guilherme Valente, citado em comunicado. “Hoje vejo-a como uma razão reforçada para entregar o bastião do que fizemos na Gradiva a quem reúne condições de talento, entusiasmo e, digamos, vitalidade, para prosseguir o mesmo combate e os mesmos ideais.”

Para Manuel S. Fonseca, o desafio de gerir a editora fundada por Guilherme Valente é “um sonho”. “Publiquei, em tempos, um belo ficcionista americano, Delmore Schwarz, o escritor favorito de Lou Reed. O título do livro era: Nos Sonhos Começam as Responsabilidades. A minha responsabilidade é, a partir de hoje, hercúlea. Assumo um compromisso: manter a identidade da Gradiva como uma casa editorial de referência.”

Segundo o jornal Expresso, que falou com ambos os editores, a Gradiva – que não tem problemas de tesouraria e, portanto, não corria o risco de fechar – irá manter-se como uma editora autónoma, mas a integração vai implicar a mudança de ambas as casas para novas instalações, estando por isso a ser revista a estrutura dos serviços, de modo a não haver duplicações.

Fundada em 1981 por Guilherme Valente, a Gradiva conta no seu catálogo com nomes como George Steiner, Umberto Eco, Ian McEwan, Kazuo Ishiguro, Michael Cunningham, Eduardo Lourenço, António José Saraiva, Hubert Reeves, Luís Filipe Thomaz e José Rodrigues dos Santos, que lançou como escritor em 2005. Destaca-se ainda pela colecção Ciência Aberta, com mais de 250 títulos, além de um grande núcleo de banda desenhada e filosofia.

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