Vários sindicatos aderiram à greve geral convocada para esta quarta-feira, 3 de Junho, num protesto contra a revisão da lei laboral proposta pelo Governo. A paralisação promete ter um forte impacto em Lisboa, afectando múltiplos sectores de atividade. As maiores perturbações farão sentir-se nos transportes, com a interrupção da circulação do Metro e perturbações sentidas na CP, na Carris e na TAP. Mas a paralisação estende-se também à higiene urbana, saúde, equipamentos culturais e escolas. Para não ser apanhado de surpresa, listámos tudo o que vai parar nesta greve geral.
Transportes
- Os comboios do metro vão deixar de circular a partir das 23.00 de terça-feira, 2 de Junho, retomando-se o serviço às 06.30 do feriado de 4 de Junho, quinta-feira;
- A CP – Comboios de Portugal aponta para possíveis perturbações na circulação de comboios nos dias 2, 3 e 4 de Junho, garantindo, ainda assim, serviços mínimos para o dia de greve. Relativamente aos Comboios Urbanos de Lisboa, pode consultar os horários previstos aqui;
- Também a Carris e a Carristur (serviços de turismo e formação) aderem à greve geral;
- A TAP chegou a acordo com os dois sindicatos que aderiram à greve, o que resultou na garantia de algumas operações. No dia 3, haverá três voos diários de ida e volta de Portugal Continental para os Açores (dois para Ponta Delgada e outro para a Terceira), e dois voos para a Madeira. A nível internacional está garantido um voo de ida e volta para Angola, para Cabo Verde e para São Tomé e Príncipe, e ainda para o Rio de Janeiro, para São Paulo, Nova Iorque e Boston. Estão também previstos dois voos para Paris, dois para Londres (um de Lisboa para Heathrow, enquanto o outro parte do Porto para Gatwick). Haverá ainda um voo para o Luxemburgo, para Frankfurt, para Roma e para Nice. Os passageiros penalizados poderão requerer compensações relativamente a extravios de bagagens e a remarcação de voos não realizados.
Higiene Urbana
- O Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa também convida os trabalhadores da Câmara, juntas de freguesia e empresas municipais a aderir à greve e à concentração na Praça D. Pedro IV (Rossio), às 14.30, para acompanharem a deslocação até à Assembleia da República.
Saúde
- Também o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) junta-se ao protesto, com os profissionais a pararem entre as 00.00 e as 24.00 de 3 de Junho, o que pode ter repercussões na terça-feira anterior. Estão assegurados, no entanto, serviços mínimos. A Federação Nacional dos Médicos também aderiu à paralisação.
Educação
- A Fenprof, que representa os professores, é outra das organizações sindicais em protesto, ao defender que “o processo de revisão da legislação laboral que está a acontecer é agressivo”. Os docentes fazem, assim, greve “em luta pela escola pública e pela valorização da carreira", como afirmou José Feliciano da Costa, um dos secretários-gerais da estrutura. O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) não fica de parte: param docentes e investigadores das universidades, institutos politécnicos, escolas superiores não integradas e institutos de investigação.
Cultura
- Da mesma forma, a greve deverá afectar diferentes equipamentos culturais da cidade. A Lisboa Cultura – EGEAC, que gere diferentes espaços na cidade e fez greve geral a 24 de Abril contra as condições laborais, não se pronunciou oficialmente sobre o dia 3 de Junho, mas poderão existir constrangimentos. Já a equipa do Teatro Nacional D. Maria II vai concentrar-se entre as 10.00 e as 12.00 junto ao edifício do Rossio, sob o mote "Teatro Renovado – Trabalhadores abandonados", integrando a iniciativa "Praça de Greve", promovida pela União de Sindicatos de Lisboa.
A reforma da lei laboral (que implica dezenas de alterações ao Código do Trabalho) começou a ser negociada, em Concertação Social, em Julho do ano passado. Os nove meses de discussão não foram suficientes para alcançar acordo entre os parceiros sociais, com o Governo a avançar com uma proposta de lei que chegou ao Parlamento a 19 de Maio. "Vamos continuar a trilhar este caminho de exigência da retirada do pacote laboral e que comecemos a discutir, isso sim, questões que permitam aos trabalhadores sair das circunstâncias que hoje se encontram", declarou à RTP Notícias o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Tiago Oliveira, no 1.º de Maio, dia em que a organização convocou a greve.
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