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Gulbenkian junta portugueses e ingleses numa exposição com sotaque britânico

Gulbenkian e Berardo são as duas maiores colecções institucionais de arte britânica do país. Numa união inédita, a nova exposição revela tendências e afinidades através das obras de 75 artistas.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Exposição "Arte Britânica - Ponto de Fuga", Gulbenkian
Pedro Pina | Exposição "Arte Britânica - Ponto de Fuga"
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São 46 obras do Centro de Arte Moderna (CAM), 34 vindas da Colecção Berardo e ainda outras provenientes de colecções nacionais e internacionais. Numa exposição inédita – pela união de esforços entre as duas maiores colecções institucionais de arte britânica do país –, a viagem pela produção artística da grande ilha abrange quase dois séculos e, mais do que uma abordagem exclusiva, fica marcada por uma visão aglutinadora do que tem sido a arte produzida naquela espaço geográfico. Com 75 nomes representados, "Arte Britânica – Ponto de Fuga" inclui oito artistas portugueses, cujos percursos passaram por Londres, mas também olha para o legado de imigrantes e refugiados provenientes de outros contextos e latitudes.

Segundo Ana Vasconcelos, uma das curadoras da exposição, o CAM tem hoje um núcleo de arte britânica com 460 – "na verdade, são 250 as peças mais relevantes" –, iniciado no final dos anos 50 e com particular intensidade entre 1960 e 1964. "A colecção Gulbenkian foi construída através do patrocínio dos jovens saídos das escolas inglesas, na altura. A Colecção Berardo é feita nos anos 90, sobretudo em três ou quatro anos. Portanto, esta reunião permite, por um lado, ter mais artistas emigrados e artistas deslocados. Há uma complementaridade muito interessante", resume Vasconcelos, que assina a curadoria da exposição juntamente com Rita Lougares, da Colecção Berardo.

Exposição "Arte Britânica - Ponto de Fuga", Gulbenkian
Pedro Pina

A terceira figura é Sarah MacDougall, que aqui assumiu o papel de coordenadora científica. Investigadora da Ben Uri Foundation, em Londres, tem-se dedicado ao estudo da obra e de artistas exilados, refugiados e das diásporas. "Foi muito importante", assinala ainda Ana Vasconcelos. "Ela trouxe toda a investigação e o estudo destas redes e da circulação de artistas que vão para Inglaterra. Conseguimos encastrar os portugueses que vão para Londres, mas percebemos que, na verdade, há todo um movimento mais alargado de artistas que vão para lá. Isso foi muito interessante porque expandiu o campo de análise", remata.

Em "Arte Britânica – Ponto de Fuga" não faltam os nomes canónicos, a começar por uma rápida referência ao inconfundível paisagismo britânico no traço de J. M. W. Turner. Numa narrativa temporal, seguem-se outros – Henry Moore (o pintor oitocentista, mas também o escultor modernista), David Hockney, Francis Bacon, Bridget Riley ou Marc Quinn, representado pela inquietante escultura Man Struck by Lightning, de 1998, parte da Colecção Berardo.

Entre os incontornáveis da arte britânica, contam-se oito nomes portugueses. Todos eles passaram por Londres, alguns acabariam mesmo por se fixar na cidade que lhes oferecia um fervor artístico que Portugal não alcançava. Paula Rego é um desses artistas, aqui representada por duas obras – O Gigante de Minsky, de 1958, e The Vivian Girls as Windmills, de 1984, ambas da Colecção do CAM.

Exposição "Arte Britânica - Ponto de Fuga", Gulbenkian
Pedro Pina

Bartolomeu Cid dos Santos, Menez, Eduardo Batarda, Fernando Calhau, Graça Pereira Coutinho, João Penalva e Rui Sanches são outros dos nomes familiares e que surgem enquadrados nesta vista panorâmica sobre a arte britânica, composta por mais de uma centena de obras. Mas há mais histórias e trajectórias que desembocam neste território, sublinhando o contributo de deslocados e imigrantes, de primeira ou segunda geração, para a construção de uma cultura visual britânica. Dentro da exposição, são 27 os artistas nascidos fora do Reino Unido. W. R. Sickert, John Singer Sargent, Alfred Wolmark, Mark Gertler, David Bomberg ou Erich Kahn, de quem a Colecção Berardo possui o maior número de obras.

Haverá uma visita guiada pelas curadoras já este sábado, 15 de Março, às 16.00. A exposição pode ser visitada até 21 de Julho.

Avenida de Berna, 45A (Praça de Espanha). Qua-Seg 10.00-18.00 (Sáb até às 21.00). Até 21 Jul. 6€-16€

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