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A nova colecção da Planeta Tangerina é para miúdos que querem manter as mãos ocupadas. Os primeiros títulos convidam-nos a pintar e a unir pontos.

No Verão, põem-se muitas coisas em dia. As conversas até às tantas, as brincadeiras sem relógio, os mergulhos de piscina e de mar, os lanchinhos suculentos de melancia a escorrer pelo peito. E, claro, as leituras. Mas os livros não são todos iguais. Os da nova colecção da portuguesa Planeta Tangerina lêem-se de mãos ocupadas. São livros de actividades, para ir completando um bocadinho de cada vez. “Começou um pouco por acaso, como várias vezes acontece no nosso catálogo”, revela-nos Madalena Matoso, que assina um dos primeiros títulos, Há Muitas Formas de Pintar Um Desenho. A ideia, explica, era fazer um livro fácil de produzir: “agrafado, impresso a uma cor, uma tiragem pequena, que não fosse muito caro.” O resultado é um prazer de ver e sentir. Fininho, 24 páginas, para levar para todo o lado.
Impresso a vermelho, Há Muitas Formas de Pintar Um Desenho é uma espécie de venda de garagem. Em cada dupla, há dois desenhos (se olharmos bem, são muitos mais) e várias hipóteses para aquilo que estamos a ver. É uma casa com mangas amarelas ou uma casa de bonecas com muitas janelas? Um grelhador ou uma planta de interior? O leitor decide. Basta assinalar na cruz o que interessa e pintar a gosto. “Gosto muito de criar livros que são uma colaboração com os leitores: livros incompletos em que o leitor participa de uma forma livre”, diz-nos Madalena, que mostrou a sua ‘venda de garagem’ à equipa e inspirou, sem ter planeado, uma colecção de “livros que podem ser apropriados e explorados de muitas maneiras diferentes”. É o que acontece também em Une os Pontos, de Bernardo P. Carvalho, impresso a azul. “Normalmente não lançamos livros nesta altura do ano, mas pareceu-nos que as férias grandes podem ser bons momentos para desenhar, unir pontos, pintar…”
Se no livro vermelho, temos um conjunto de desenhos sobrepostos que nos lembram as revistas de ponto cruz e podem ser diferentes coisas – a forma que ganha destaque é aquela que o leitor decide pintar, e nenhum leitor pinta a mesma forma da mesma forma –, o livro azul convida-nos a unir pontos até descobrir qual o caminho certo ou que outro caminho queremos percorrer. Começa-se com apenas dois pontos e, página a página, o desafio “vai-se complicando até acabarmos com um desenho com 482 pontos” – na verdade, depois desse, ainda há outro, com 339, mas continuam a ser muitooos ... E a própria capa é um desafio: “Não tem título. Tem de se unir os pontos para descobrir. Se calhar vai ser arriscado comercialmente. Mas não dava para deixar de lado uma ideia tão boa”, confessa Madalena, que faz a vez do Bernardo. Imaginamo-lo de férias, a pintar e a unir pontos.
Os próximos livros ainda estão no segredo dos deuses. É provável que as idas à praia e ao campo e às montanhas sejam fonte de inspiração. Por enquanto, o que importa é recuperar a alegria de gastar os lápis de cor todinhos ou de tentar não pisar o risco (ou até de pisar mesmo), de unir pontos ao calhas, alternando retas e curvas, com traços ondulados ou em zigue-zague, pelo caminho mais curto ou pelo mais longo. No Verão, as regras são para contornar, para dar outra forma, que amanhã há mais.
A colecção chama-se Volta Sempre!, e ainda as férias vão a meio e já estamos a pensar que queremos lá voltar. Aos tempos livres, e aos livros para os ocupar.
Há Muitas Formas de Pintar Um Desenho, de Madalena Matoso. 24 pp. 9,90€ / Une os Pontos, de Bernardo P. Carvalho. 24 pp. 9,90€
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