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Há um novo tuk tuk a circular onde os miúdos podem ser turistas na própria cidade

Ana Alcalde desenhou uma rota em Lisboa a pensar em crianças entre os sete e os 11 anos.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Kids Tour
Alex Puchalsck | Kids Tour
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Estávamos em 2013 quando a brasileira Ana Alcalde chegou a Portugal. Veio para fazer uma pós-graduação em Gestão e acabou no negócio dos tuk tuk “meio de pára-quedas”. Não só adorou desde o primeiro dia, como co-fundou a Live Portugal, com o sócio, Tiago Palhoça, um arquitecto apaixonado por História e por um bom desafio. “Já lá vão mais de dez anos a organizar passeios”, conta-nos Ana, em frente ao Hard Rock Café, nos Restauradores – o ponto de partida para uma nova aventura na cidade de Lisboa. Chama-se Kids Tour e, como o próprio nome sugere, foi criada a pensar nos miúdos. Mas é, claro, para ser feita em família.

“Não há muita oferta do género para crianças. A ideia é mostrar quais são os costumes, as tradições da cidade – a festa popular, o desporto favorito, a religião principal –, mas de uma forma lúdica, divertida. Para os estrangeiros, a experiência é a de ser lisboeta por um dia”, revela-nos Ana. Mas e se formos portugueses, também está a valer? Claro, também é possível ser-se turista na própria cidade. Até porque este passeio – que é também uma espécie de peddy paper batoteiro – é pensado especificamente para crianças entre os sete e os 11 anos.

“Eu tenho uma filha nessa faixa etária. Quando temos crianças, estamos constantemente a pensar no que lhes oferecer. Ela foi a minha inspiração, mas também todas as pessoas que já marcaram passeios de tuk tuk connosco precisamente porque queriam levar as crianças a passear. Só que a sensação que eu tinha é que muitas vezes chega na hora do tour e a experiência não corresponde às expectativas, porque o programa não é verdadeiramente pensado para eles”, partilha a empresária, que decidiu pôr mãos à obra. “O que oferecemos é um jogo.”

Kids Tour
DR

Primeiro, Ana montou o itinerário – Baixa, Catedral da Sé, Miradouro das Portas do Sol, Graça, Miradouro da Senhora do Monte, Mosteiro de São Vicente de Fora, Panteão Nacional e Alfama –, depois pensou em diferentes actividades. “Pensámos no que as crianças gostam, e como poderíamos integrar as diferentes temáticas que decidimos abordar, a partir da rota que propomos”, explica, antes de nos apresentar o guia/motorista, Cláudio Oliveira. É brasileiro, mas viveu muitos anos na Alemanha, e também fala inglês e italiano – um poliglota, portanto. E, ainda assim, nada disso interessa aos mais pequenos. No que eles reparam mesmo é no sorriso – grande, rasgado – e na boa disposição.

“Estão prontas?”, pergunta Cláudio às crianças que entretanto se ajeitaram nos bancos do seu tuk tuk, 100% eléctrico. “Vou precisar que escrevam o vosso nome aí num caderninho”, começa por dizer, chamando à atenção para um saco exclusivo, onde encontramos todos os materiais necessários para a visita que se segue. Vão ser duas horas, oito paragens e vários desafios, incluindo charadas. Cláudio está sempre disponível para ajudar, mas o objectivo não é propriamente palestrar. Na verdade, espera-se que as famílias interajam muito mais entre si. A informação histórica é somente a necessária e encontra-se nos cadernos de bordos.

Durante o passeio, Cláudio toma a liberdade de trocar a ordem das paragens tendo em conta o trânsito e os conselhos de outros condutores de tuk tuk com quem se vai cruzando no caminho, e que o avisam de eventuais acidentes de trânsito. Afinal, o mais importante é que os mini-aventureiros se sintam seguros e confortáveis. Pelo meio, falamos sobre o Santo António e os preceitos da festa, decoramos sardinhas, resolvemos um mistério com recurso a uma lupa especial, provamos pastéis de Nata, vemos as vistas e ainda temos tempo para admirar a arte urbana da cidade e para nos armarmos em detectives, com e sem binóculos – sim, há binóculos entre as surpresas, e são daqueles que fazem um zoom embaraçoso.

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“O Eusébio está no Panteão?”, pergunta uma das miúdas. “Vou pedir ao pai para me levar lá!”, diz, visivelmente entusiasmada, enquanto a irmã pinta a bandeira de Portugal. É uma reacção comum, desvenda Cláudio mais tarde, no final do tour. “O que é giro é que eles ficam com vontade de descobrir mais. Este passeio não é para eu dar aula de História, não é para ficar debitando, é para eles se divertirem, enquanto aprendem, e sobretudo para aguçar a curiosidade”, diz. “Há muitas coisas que as crianças portuguesas até já sabem, mas elas gostam na mesma, porque é divertido, é diferente, não é algo que fazem todos os dias.”

A visita não sai barata: são entre 200€ e 260€, para um grupo de até seis pessoas, com um mínimo de uma criança e um máximo de quatro. Mas inclui todos os materiais – um caderno de bordo, várias lembranças e um pastel de Nata quentinho. Além disso, se tiver a sorte de ter Cláudio como guia, é provável que tenha oportunidade de descobrir alguns dos segredos mais bem guardados da cidade, como um jardim secreto. “Venham, venham”, convida Cláudio, que adora surpresas e parece conhecer toda a gente. Que divertido é ser turista na nossa própria cidade.

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