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É o primeiro registo desta espécie no interior da Serra de Sintra em várias décadas. O animal foi detectado através de foto-armadilhagem.

Há décadas que não se viam lontras no interior da Serra de Sintra. Agora, a Parques de Sintra detectou uma no Parque da Pena, no âmbito de um projecto de foto-armadilhagem, que foi implementado para monitorizar de forma não intrusiva a fauna presente nos parques e monumentos sob sua gestão. Além disso, foi também detectada a utilização frequente de determinados locais por mamíferos de hábitos nocturnos, como texugos, genetas e raposas.
A lontra (Lutra Lutra) é um mamífero da família dos mustelídios, a mesma dos texugos e fuinhas, por exemplo, e uma espécie solitária, ocupando territórios de grande dimensão, na Europa Ocidental, Ásia e Norte de África. Associada a ecossistemas aquáticos bem conservados, habita rios, ribeiras, lagos, pauis e pequenas albufeiras, necessitando de abundante coberto vegetal para abrigo e de recursos alimentares, como peixes, anfíbios e invertebrados aquáticos. Mas, segundo João Sousa Rego, presidente do conselho de administração da Parques de Sintra, “ainda não é possível determinar se as imagens captadas desta lontra correspondem a um indivíduo de passagem ou a um animal residente”.
Com a resiliência climática e a biodiversidade sustentável como prioridades estratégicas da empresa, a Parques de Sintra considera a presença da espécie como um importante indicador biológico da qualidade dos habitats existentes e da boa condição ecológica dos ecossistemas que integram a Paisagem Cultural e o Parque Natural de Sintra-Cascais, e compromete-se a dedicar a esta área “um investimento de cinco milhões de euros, o dobro do ano passado”. “Esta verba contempla, necessariamente, a vertente científica, que é fundamental para aprofundar o conhecimento dos ecossistemas, avaliar a eficácia das medidas em curso e apoiar decisões de gestão.”
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