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A livraria independente tem agora um segundo espaço em Arroios, dedicado a famílias e crianças. É a Mini Tigre de Papel.

Há dez anos que a Tigre de Papel é paragem obrigatória na Rua de Arroios. Casa por excelência de edições independentes e de autor, tanto vende livros novos como em segunda mão, e tem-se destacado também pela actividade cultural, com eventos em torno da literatura (mas não só). Agora, em jeito de celebração, embora não premeditada, inauguram um novo espaço no bairro, desta vez na Rua Passos Manuel. É a Mini Tigre de Papel, que de mini só tem o nome. “Até achei que era grande demais, não quis logo”, revela-nos por entre risos Bernardino Aranda, que em boa hora mudou de ideias.
À porta, anuncia-se o próximo evento: uma oficina de movimento para crianças a partir dos cinco anos. Já lá dentro, a pouco mais de dois passos da entrada, é no Jogo da Macaca, pintado a giz no chão, que o nosso olhar pousa. Está sol e a luz entra em barda, iluminando o espaço. As paredes e as estantes, brancas e em madeira clara, contrastam com a oferta, que vai dos livros e material escolar até ao estacionário e aos jogos educativos. Ao fundo, vislumbramos o que poderia ser uma sala de estar – sobressai um tapete gigante e várias cadeiras miniatura, duas são cogumelos.
“Eu já tinha experiência com manuais escolares – e foi isso que me deu confiança para abrir uma livraria generalista, que no Verão fizesse a venda às famílias para que depois, com essa almofada, nos pudéssemos divertir durante o resto do ano”, recorda Bernardino, que abriu a Tigre de Papel em 2016, com o amigo Fernando Ramalho, que ainda hoje se encontra muitas vezes atrás do balcão. Na altura, distinguiam-se sobretudo por terem livros novos e usados “tudo misturado” e se apresentarem como “um espaço de encontro”, com programação variada. “Chegámos a ter aulas de yoga e festas de aniversário”, partilha.
Uma década depois, encontrado o seu “nicho, longe da concorrência das grandes editoras, mais por gosto do que por estratégia comercial”, o editor e livreiro começou a sentir que o número 25 da Rua de Arroios já não era suficiente. “Há uns tempos, iniciámos encomendas a editoras estrangeiras, de títulos que gostamos muito, de Espanha e Inglaterra, e percebemos que a livraria era pequena para os livros que ali queríamos ter”, explica Bernardino, que – por força das circunstâncias – resolveu fazer nascer a Mini Tigre de Papel. Como o nome nos sugere, é dedicada a ‘pessoas mini’, as crianças, e a tudo o que as rodeia.
O foco está nos manuais e em todo o material escolar – até porque é daí que vem o grosso das receitas, que serve para alimentar a restante actividade –, mas nem por isso abdicam da curadoria e cuidado que lhes é característico. Nas prateleiras, destacam-se os livros infanto-juvenis, de ficção e não-ficção, de editoras como a Planeta Tangerina, a Orfeu Mini, a Pato Lógico e a Triciclo, entre outras chancelas reconhecidas pelas famílias, como a Fábula da Penguin e a Minotauro da Gradiva; bem como alguns títulos em torno da educação, parentalidade e trabalho com os mais novos.
Querem ser uma livraria para quem cresce e para quem acompanha esse crescimento, diz-nos Bernardino, antes de adiantar que a programação regular – ainda a ser pensada – não será apenas para as crianças. “Eu tenho uma filha de sete anos e tenho vivido muito intensamente esta viagem”, justifica, antes de nos apresentar Vera Correia, gerente da Mini Tigre de Papel. “A Vera também tem uma criança de sete anos e agrada-lhe também esta ideia de uma secção dedicada à pedagogia, que é uma área que nos interessa de facto – como lidar com questões que nos aparecem lá em casa, e por aí fora.”
Há ainda papelaria, com estacionário e materiais para manualidades, e uma grande oferta de jogos educativos, que incluem a marca portuguesa The Happy Gang, cuja equipa inclui duas psicólogas, uma especialista comportamental e uma educadora e mestre em Filosofia para Crianças. “Tem tudo a ver como a Mini Tigre. São óptimos para afastar as crianças dos ecrãs e também já pensei que poderíamos ter sessões de jogo para as famílias. O meu próprio pai, que era professor de matemática, também criou uns jogos e quem sabe se não os trago.” Tudo a seu tempo.
As vontades são muitas e têm surgido em catadupa, mas também é preciso arrumar o armazém. Para facilitar o processo, além de preços acessíveis, sobretudo nos livros em segunda mão – incluindo títulos já fora de circulação, como os Petzi, os saudosos livrinhos azuis de 32 páginas –, criaram uma caixa de “oferta”, com livros que os visitantes podem levar para casa de forma gratuita. “Não queremos deitar nada fora. É a forma de os fazermos circular. Como sempre vendemos em segunda mão, também nos doavam livros e fomos acumulando”, conta-nos Bernardino, que espera que os pequenos leitores apreciem a novidade.
Rua Passos Manuel, 84B (Arroios). Seg-Sex 10.00-19.00, Sáb 10.00-18.00
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