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IndieLisboa: do mockumentary a Zurita de Oliveira, pioneira do rock português

O IndieLisboa volta à cidade a 30 de Abril. A programação inclui a estreia mundial de um documentário sobre “a mãe do rock português”.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Quem tem medo de Zurita de Oliveira?
DR | Quem tem medo de Zurita de Oliveira?, de Francisca Marvão
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O IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema regressa a 30 de Abril, para a sua 23.ª edição. A programação, que se estende até 10 de Maio e inclui actividades paralelas, distribui-se por várias salas da cidade, do Cinema São Jorge à Piscina Municipal da Penha de França. Entre os destaques desta edição está uma retrospectiva dedicada ao “mockumentary”, género que cruza documentário e ficção, e a apresentação de dois filmes centrados em duas figuras ímpares: o músico Vítor Rua, co-fundador dos GNR, que acabaria por demitir publicamente num manifesto; e a guitarrista, cantora e compositora Zurita de Oliveira, pioneira do rock português.

Num programa construído em conjunto com a Cinemateca Portuguesa, a Retrospectiva da próxima edição dedica-se ao mockumentary, género que desafia as fronteiras entre realidade e ficção, e traz filmes de Rob Reiner, Christopher Guest, Peter Watkins, Ruben Östlund e Kirsten Johnson, entre tantos outros. Entre 14 longas e sete curtas, que datam dos anos 20 até 2025, destaca-se Punishment Park, de Peter Watkins, que reflecte sobre a violência estatal perante os corpos dos seus cidadãos. Estreado em 1971, o filme esteve apenas quatro dias em exibição até ser banido pela administração Nixon.

Já a secção Director’s Cut, dedicada a cinema de tempos idos visto com olhos dos novos tempos, traz cinco pérolas em novas cópias restauradas, quase todas em estreia nacional, de Regarde, elle a les yeux grands ouverts (1982, Yann Le Masson), um documentário sobre a MLAC (Mouvement pour la libération de l’avortement et de la contraception), uma organização francesa fundamental na luta pelo direito à interrupção voluntária da gravidez, que vai ter a sua versão longa exibida pela primeira vez fora de França; a The Red Spectacles (1987), de Mamoru Oshii (criador de Ghost in the Shell), um clássico noir onde soldados armados em exosqueletos são quem mais ordena numa Tóquio que é propriedade da Alemanha nazi.

Na secção IndieMusic, que este ano terá audio-descrição em todos os filmes, vão ser exibidas um total de dez longas e três curtas-metragens, seis das quais em estreia mundial. Segundo a organização, a selecção gravita entre géneros musicais, texturas sonoras e diferentes geografias, que vai “do Newport Folk Festival [nos EUA] ao funk-putaria das favelas brasileiras”. Mas os destaques são outros: o filme de Francisca Marvão dedicado a Zurita de Oliveira, Quem tem medo de Zurita de Oliveira?, que também procura reflectir sobre a visibilidade de outras mulheres no panorama artístico; Rua (isto não é um filme, é um cometa), de João Bigos Campaniço, em torno do irreverente Vítor Rua; e Percursos Alternativos – Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90, de Rui Mota Pinto.

Para fãs de terror e outros “objectos mais bizarros”, como promete a organização em comunicado, a secção Boca do Inferno inclui 14 filmes – sete longas e sete curtas – e abre, logo no primeiro dia do festival, com Obsession, de Curry Barker, que nos fala de uma amizade de infância que vira uma sinistra paixão ardente. De volta ao IndieLisboa, onde já foi premiado, teremos ainda Radu Jude, nome central da Nova Vaga Romena, que recupera Bram Stoker para o seu mundo tão próprio – Dracula decorre numa Transilvânia contemporânea com pescoços mordidos e greves de trabalhadores –; e Aya Kawazoe, que em 2023 venceu o Prémio Melhor Curta de Ficção com Howling, e este ano traz-nos Interface. Quanto à já tradicional Maratona Boca do Inferno, está marcada para 8 de Maio, no Cinema Ideal, madrugada fora.

Está ainda programado o regresso do Smart7, uma competição que viaja por sete festivais europeus – o IndieLisboa é a sua segunda paragem após o Kino Pavasaris, na Lituânia. A representar Portugal está o filme Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete. Também com nova passagem pelo festival, a ESFN – European Short Film Network, que em 2026 se atira ao cinema expandido, uma expressão artística nascida nos anos 60 e que se situa algures entre o cinema experimental e a performance artística, e nos traz it’s not the sun who is moving, uma instalação imersiva do artista espanhol Luis Macías, onde seis projectores de 16mm (com imagens do sol e da lua) se espalham por várias salas do Palácio Sinel de Cordes, polo cultural da Trienal de Arquitectura de Lisboa, no primeiro dia do fim-de-semana do Open House Lisboa.

Por último, mas não menos importante, o IndieJúnior, a secção pensada para famílias com crianças e jovens. Num total de 45 filmes, com destaque para Olívia e o Terramoto Invisível, uma longa-metragem de Irene Borra, o programa inclui três estreias mundiais e quatro filmes portugueses e continua a expandir-se para fora das salas de exibição. No dia 9 de Maio, por exemplo, acontece a já habitual Festa ao Ar Livre no jardim da Biblioteca Palácio Galveias, desta vez em conjunto com o Lisboa 5L – Festival Internacional de Literatura e Língua Portuguesa. Em paralelo, haverá também oficinas, incluindo uma com a realizadora Zoe Schmidt sobre o que é isso de fazer cinema para crianças entre os oito e os 12 anos, e outra em parceria com a Trienal de Arquitectura de Lisboa, que mescla galinhas, arquitectura e permacultura.

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