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Jazz em Agosto traz fusão, improvisão e a vanguarda de Nova Iorque à Gulbenkian

Entre 31 de Julho e 9 de Agosto, há muita música para descobrir no Grande Auditório e no Anfiteatro da Gulbenkian, com 14 concertos de música de vanguarda ao ar livre.

Hugo Geada
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Hugo Geada
Jornalista
Pat Thomas
Vera Marmelo | Pat Thomas
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Se há coisas que mestres do jazz nos ensinaram, de Miles Davis a Thelonious Monk, é que não existem notas erradas neste estilo musical. Agora, o Jazz em Agosto quer mostrar a actualidade criativa do género e como ele continua a evoluir. A 42.ª edição deste evento acontece na Fundação Calouste Gulbenkian, entre 31 de Julho e 9 de Agosto, e conta com 14 concertos, distribuídos entre o Grande Auditório, o Anfiteatro ao Ar Livre e o Auditório 2.

A abertura faz-se no Grande Auditório com um concerto de piano de Joachim Kühn, uma das figuras maiores da improvisação europeia, conhecido por uma linguagem que cruza tradição jazzística e referências da música erudita europeia. O primeiro fim-de-semana abre várias linhas de programação em paralelo. No sábado à tarde, o duo de Lisboa formado por David Maranha no órgão eléctrico e Rodrigo Amado no saxofone tenor apresenta um concerto de improvisação contínua e espiritualidade. À noite, surge o quarteto Canyon, com Sylvie Courvoisier, Lester St. Louis, Joe Morris e Jerome Deupree, numa actuação onde a construção musical é baseada na escuta e na resposta imediata entre músicos com percursos muito distintos.

No domingo à tarde, o poeta e académico Fred Moten junta-se ao contrabaixista Brandon Lopez num encontro entre palavra e improvisação musical, centrado em questões de linguagem, política e resistência. À noite, o quarteto Shardik apresenta Cruelty Bacchanal, um projecto ligado ao universo da editora Tzadik de John Zorn, que cruza referências do metal, do free jazz e da composição contemporânea num registo fragmentado e intenso.

O festival recebe ainda o Lisbon Underground Music Ensemble (LUME), a 3 de Agosto, dirigido por Marco Barroso, que apresenta novo repertório, continuando o trabalho de reinterpretação da lógica da big band a partir de influências que vão do jazz ao rock e à música contemporânea. Segue-se, no dia seguinte, o quarteto Bonbon Flamme, com o guitarrista português Luís Lopes, numa abordagem que oscila entre o caos controlado e a exploração sonora, e o colectivo The Sleep Of Reason Produces Monsters, a 5 de Agosto, que junta músicos como Mette Rasmussen e Mariam Rezaei numa prática de improvisação livre com forte presença de electrónica e noise.

Uma das saxofonistas e compositoras mais relevantes da cena nova-iorquina actual, Anna Webber, vai apresentar, a 6 de Agosto, “Shimmer Wince”, um projecto musical que conta com um quinteto focado em sistemas de afinação baseados em harmónicos naturais, construindo uma música de forte densidade estrutural. No dia 7, Ches Smith mostra “Clone Row”, um projecto que junta guitarras, baixo e electrónica num território híbrido entre composição e improvisação.

No segundo fim-de-semana, o festival entra na recta final com propostas como o concerto do pianista Pat Thomas, centrado no álbum Hikmah, ou o baterista Tomas Fujiwara, que reúne um quarteto de percussão com instrumentos de diferentes tradições, incluindo taiko japonês e vibrafone.

Na derradeira data, 9 de Agosto, o festival cruza duas geografias centrais do jazz contemporâneo. O Chicago Underground Duo, formado por Rob Mazurek e Chad Taylor, apresentam Hyperglyph, um trabalho que combina improvisação, electrónica e uma forte ligação a tradições rítmicas africanas. O encerramento fica a cargo dos SML, um colectivo baseado em Los Angeles que junta músicos como Anna Butterss e Josh Johnson, e que propõe um cocktail de estilos como jazz, electrónica e rock.

Av. de Berna, 45A (Praça de Espanha). 31 Jul-9 Ago. 40€ (Passe Auditório 2) - 100€ (Passe Anfiteatro ao Ar Livre)

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