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Foi no Páteo Bagatela que, em 2012, tudo começou. Depois de cinco anos no Restelo, as jóias poéticas e orgânicas de “Ju” regressam ao centro da cidade.

Há conchas, peixes, corais e búzios como se estivéssemos no fundo do mar. Há flores, folhas, cogumelos e andorinhas como se estivéssemos num jardim. Mas, não: estamos no centro de Lisboa, na nova loja de Juliana Bezerra. Fica no Páteo Bagatela, entre edifícios altos e ruas movimentadas, mas é um mundo encantado onde cabe o que há de mais belo na natureza, na forma de brincos, pulseiras, colares e anéis dourados e prateados.
Rui Veloso avisou numa canção: “Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz”. Mas a designer de jóias não teve medo de regressar aonde tudo começou há 13 anos. “Saí desta zona um bocadinho obrigada, porque a loja que tinha era pequena. A marca cresceu e eu precisava de mais”, conta à Time Out no dia da festa da inauguração. Antes de se mudar para o Restelo, onde esteve nos últimos cinco anos (e onde, por enquanto, vai manter o atelier), sonhou ficar com o espaço que agora é seu, mas na altura estava ocupado. “Há uns meses comecei à procura de uma loja no centro da cidade, porque as minhas clientes pediam muito para voltar. Um dia vim jantar ao Páteo Bagatela e vi esta. Não podia ser coincidência.”
Decidiu naquele momento voltar. E, com a ajuda da arquitecta Rita Mongiardim, do estúdio Skike Interior Design, com quem já tinha trabalhado, transformou um centro de estética com três andares num espaço acolhedor, cheio de luz, com duas entradas, zona de loja, oficina, escritório e até casa-de-banho e cozinha, como se fosse uma casa de portas abertas. Juliana não é a única feliz com a mudança: “Tem sido tão bonito ver a reacção das clientes que me acompanham desde o início neste regresso a casa e dos vizinhos que me dão as boas-vindas de volta”, diz, emocionada.
No piso de cima, dominado pelo cor-de-rosa das paredes toscas e das prateleiras onduladas cheias de espelhos, plantas e peças de cerâmica, fica a loja, com enormes montras rasgadas para a Rua Artilharia 1. Há um sofá de veludo confortável, um espelho da ceramista Maria Castel-Branco, candeeiros em loiça e uma ilustração a preto e branco de Marta Corrêa Nunes, mas os protagonistas são os armários vintage dos anos 20, 30 e 40 que expõem as jóias das diferentes colecções em vitrines e gavetas.
“A Juliana pensa em tudo, o que é óptimo porque para fazermos projectos com clientes precisamos de um guião e de emoção. Ela sente e quer que os clientes sintam, quer partilhar o seu sonho”, descreve Rita Mongiardim.
Esse sonho está bem presente no entre-piso, onde se pode chegar ora descendo as escadas acompanhadas pela enorme parede de espelho personalizada com colagens de formas orgânicas, ora pela segunda porta de entrada – esta com acesso ao Páteo – que dá as boas-vindas com o lema da designer brasileira, “A vida é boa”. É aqui que Ju, como gosta de ser tratada, promete criar à vista de todos na sua mesa de trabalho e no enorme armário em madeira com um lavatório com tampo de mármore.
Já o piso de baixo, onde ficam a casa-de-banho e a cozinha (que também merecem uma espreitadela) é outra porta de entrada para a mente criativa de Juliana Bezerra, este um pouco mais resguardado. O escritório, visível da zona da oficina através de um vidro, tem mais espelhos, flores e livros, mas o desperta mais curiosidade é o armário apotecário com dezenas de gavetinhas.
“Adoro gavetas porque sou uma acumuladora. Acho que tudo o que encontro vai ter uma utilidade no futuro, poderá inspirar algo novo”, diz enquanto abre e fecha compartimentos com conchas, corais, búzios, pedras, flores e folhas secas, botões e até folhas de papel coloridas. Não é o mar, não é um jardim. Mas às vezes, ali, no meio da cidade, até parece.
Páteo Bagatela, Rua Artilharia 1, 45 (Amoreiras). Ter-Sex 11.00-19.00. Sáb 10.00-13.00
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