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Pedro Sampaio e as suas canções do Tik Tok, as portuguesas Nena e Bárbara Bandeira e até uma guerreira do K-pop juntaram-se à super-estrela Katy Perry no Parque Tejo. Uma festança para os miúdos que dominaram o recinto.

Ninguém resiste a uma costela portuguesa. E Katy Perry, com uma gravata de brilhantes com a bandeira dos Estados Unidos, fez render a sua no regresso a Lisboa: “O meu tetravô é de Ponta Delgada. Estão por aí os primos de São Miguel?”, perguntou a um Parque Tejo a rebentar pelas costuras neste sábado, 20 de Junho, primeiro dia de Rock in Rio 2026.
Apesar da fraca qualidade do som no concerto de encerramento do Palco Mundo, o público composto por mais de 100 mil pessoas respondeu com entusiasmo, claro, que os hinos pop da Rainha do Camp – que insistiu que era “20% portuguesa” – estão mesmo a puxar por isso. Entre as 23.25 e a uma da manhã, foram uns atrás dos outros: “California Gurls”, “Teenage Dreams”, “Last Friday Night (T.G.I.F)” “Hot n Cold”, “I Kissed a Girl”, “The One That Got Away” e, para acabar, os super-orelhudos “Roar” e “Firework”. Estes, até os pais sabiam cantar – eram mais que muitos, a acompanhar as crianças, pré-adolescentes e adolescentes que pareciam dominar o recinto desde a hora do almoço.
Com uma camisa onde se lia I AM NOT A ROBOT, primeiro, e um conjunto verde e cor-de-rosa de micro-calções e top, depois – uau, o que usou quando se estreou em Portugal, há 17 anos, ainda lhe serve! – Katy Perry apresentou a Lisboa uma nova música, “Watch It Burn”. Em palco nunca se levou demasiado a sério, acompanhada por um grupo de bailarinos ora com fatos de super-músculos, ora mascarados de astronautas. “Às vezes a vida é um bocado chata, por isso temos de nos divertir agora!”, disse antes de se enfiar dentro de um insuflável em forma de garrafa de água de plástico para fazer crowd surfing.
A enchente de Katy no primeiro dia de festival só é comparável à do fenómeno do funk e da pop brasileira actual Pedro Sampaio, que às 19.00 em ponto, quando o calor ainda apertava, subiu ao palco principal vestido de preto e com um grupo de dezenas de bailarinos disposto a mandar a casa abaixo.
As letras das músicas do DJ e produtor de 28 anos e as suas danças, virais no Tik Tok, são tudo menos infantis (não, o “Jetski” não é um passeio pelo oceano e o “Cavalinho” não mora numa quinta), mas as famílias alinharam e transformaram o Parque Tejo numa discoteca ao ar livre, ao som de “Abaixa”, “No Chão”, “Sequência Feiticeira”, “Escada do Prédio”, “Solteiro”, “Cachorra”, “Dançarina” ou “Pocpoc”. O brasileiro pôs ainda Lisboa a dançar ao som de remixes de Justin Bieber, Nicki Minaj e Sia ou das populares “Danza Kuduro” ou “Party Rock Anthem”.
Pedro Sampaio falou pouco, mas lembrou como tudo começou no seu quarto virado para a janela e pediu abraços, mãos no ar, rabos no chão e, menos humilde, “o maior cavalinho do mundo”. “Os portugueses são muito educados – virem para o lado e ponham a mão no ombro de quem está à vossa frente”, orientou antes de começar a repetir “Vai, vai, oh, vai no cavalinho/ Vai, vai, vai”. Uma coreografia gigantesca de comboios humanos a andar para a frente e para trás balançando as ancas, interrompida apenas pelo grito de assinatura “Pê-drô, Sam-pai-ô, vai!”, repetido dezenas de vezes ao longo do concerto, marcou o espectáculo – e marcou o dia.
Os manos Calema abriram as hostes no Palco Mundo às 17.00, mas não foram os únicos a cantar em português (nem os únicos a vestir branco integral). Nena no palco Music Valley às 20.15, Napa e Bárbara Bandeira no Palco Super Bock, às 18.00 e às 22.15, respectivamente, celebraram a portugalidade, cada um à sua maneira, mas todos – principalmente elas – com grupos de fãs fiéis a acompanhar as músicas de cor e salteado.
Antes, durante e depois dos concertos, acumularam-se filas intermináveis para comer, beber, aderir a activações de diferentes marcas (e, com sorte, ganhar um brinde), andar na roda gigante ou fazer slide por cima da mancha de gente que nunca quis perder o seu lugar à frente do Palco Mundo, onde o norte-americano Charlie Puth, sem aquecer nem arrefecer, tocou piano, explicou como cria as suas batidas e puxou pelos falsetes que lhe deram fama.
Ali ao lado, no Music Valley, Audrey Nuna – talvez mais conhecida como Mira das Guerreiras do K-Pop – apresentou pelas 22.15 o seu trabalho real (o álbum TRENCH), mas foram as canções do trio pop fictício Huntr/x do filme da Netflix vencedor de Óscares e Globos de Ouro que levaram os miúdos à loucura. Foi para eles, mais do que para qualquer outra pessoa, o primeiro dia de Rock in Rio 2026.
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