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O Le Salon Hair Spa by David Noa, no Chiado, não é um cabeleireiro qualquer – faz lembrar os salões de apartamento parisienses e promete serviços especiais.

O ruído citadino da Rua do Loreto que entra pelos janelões do primeiro andar do número 13 – o sino a anunciar uma nova fornada de pastéis de nata da Manteigaria, o eléctrico a passar cheio de turistas, uma ambulância a acelerar apressada – apaga-se quando entramos no quarto a meia-luz onde estão dois lavatórios. De um momento para o outro somos só nós, o piano de Rodrigo Leão, a água a escorrer, os óculos gelados de pedra sobre os olhos fechados, o aroma a mentol do champô, a nuvem de vapor quente, a cadeira de massagens que se transforma em cama e as mãos mágicas que cirandam entre os cabelos, a cabeça e o pescoço.
Estamos no Le Salon Hair Spa by David Noa – a poucos passos do primeiro cabeleireiro da marca, na Calçada do Combro –, que abriu discretamente no início do Verão num apartamento com chão de madeira antiga, tectos trabalhados do século XIX, candeeiros contemporâneos e enormes espelhos de corpo inteiro. Este não é um salão tradicional, nem no aspecto nem no que tem para oferecer. "Tinha de ser diferente, não queria um espaço virado para a rua, onde se perde o controlo", diz à Time Out o director criativo Gabriel da Silva. "Já corremos o dia todo, a ida ao cabeleireiro deve poder ser tranquila e relaxante, para aliviar o stress e não para ser um stress."
Inspirado nos salões parisienses, muitas vezes instalados em apartamentos acima do rés-do-chão, sem montras, o Le Salon promete tratar não só do cabelo, mas também da mente, com a ajuda de um hair spa – conceito ainda raro em Lisboa. Mas a experiência íntima e exclusiva (não atendem mais do que duas pessoas de cada vez) começa bem antes de nos entregarmos ao ritual indiano Shirodhara, que combina massagem, cascata de água e uma cúpula de vapor rotativo.
Na sala de diagnóstico, cheia de luz natural, somos convidados a sentar-nos numa das cadeiras confortáveis à volta de uma enorme mesa de madeira. Guardamos as jóias numa caixinha de veludo verde (incluindo anéis e pulseiras, já que também está incluída uma massagem de mãos), bebemos um chá ou café – ou até um copo de vinho, um porto tónico ou aperol, consoante as horas – e entregamo-nos à análise do cabelo, para escolher os produtos que vamos usar antes da massagem. “Há sempre uma personalização”, garantem. É também aqui que as clientes a fazer tratamentos mais prolongados (como pintar o cabelo) podem instalar os seus computadores portáteis e trabalhar. “O espaço foi todo pensado para o ritmo da vida moderna”, descrevem.
Ao diagnóstico, seguem-se então entre 20 e 60 minutos de pura imersão no tal quarto a meia-luz e ao som de músicas exclusivas do compositor Rodrigo Leão, “um velho amigo da casa, há mais de 20 anos”. Os produtos usados são da linha Tea Tree da Paul Mitchell, cujo ingrediente principal é a canábis. Os preços vão dos 60€ aos 120€ – mas vale a pena marcar um corte premium que, por 100€, inclui diagnóstico, tratamento específico, ritual Le Salon de 30 minutos (com terapia Shirodhara, vapomist e massagem de mãos), corte, brushing/styling, amuse-bouche e bebidas.
O regresso à vida real para cortar e secar o cabelo só não custa tanto graças à água aromatizada e ao doce tradicional que oferecem – no dia da visita da Time Out eram uma infusão com limão, laranja e pepino e um pastel de nata. Na hora da despedida, o ruído citadino da Rua do Loreto já nem parece o que era.
Rua do Loreto, 13, sobreloja (Chiado). Ter-Sex 10.00-19.00, Sáb 10.00-18.00
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