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Equipa da Câmara está a salvaguardar colecção de moldes num armazém de Alvalade e a criar sistema que permitirá a calceteiros monitorizar estado da calçada.

Rua João Saraiva, número 40, Alvalade. É aqui, num armazém da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que a Unidade de Intervenção Territorial do Centro Histórico (UITCH) está a desenvolver um trabalho de preservação da colecção de moldes de calçada artística portuguesa. No total, são mais de 5000 peças, 3000 das quais inventariadas como originais, em madeira, que contam a história do chão de Lisboa desde o século XIX a partir de borboletas, sereias, flores, estrelas, números e letras.
Os moldes, informa a autarquia – que organizou em Abril uma visita ao armazém onde se guardam moldes e ferramentas desde 1952 –, "continuam ainda hoje a ser utilizados na manutenção e execução da singular calçada artística portuguesa nas ruas de Lisboa". “É um verdadeiro bordado, um croché”, resumiu à RTP a historiadora Sofia Tempero, da UITCH. Segundo a equipa, que se deparou com a vasta colecção numa visita ao armazém em 2019, a colecção é a "fonte primária" para a compreensão da calçada portuguesa, candidata oficial a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO. Estava, porém, esquecida e a degradar-se.
“Retirámos três camionetas de lixo”, descreveu o historiador Rui Matos, membro da equipa, recordando que, no espaço, existiam desde electrodomésticos a pneus ou animais mortos. "No meio disso, estavam os moldes. Percebemos rapidamente que não bastava arrumar – era necessário criar um projecto de investigação."
O projecto começou pela organização e inventariação do acervo, evoluindo para um trabalho de investigação que inclui a recolha e sistematização da iconografia da calçada artística em Lisboa, como conta o mesmo meio. “No nosso projecto fizemos uma recolha exaustiva de todos os desenhos da calçada artística portuguesa em Lisboa, nos nossos arquivos e fora deles”, explicou o historiador Rui Matos, do grupo de trabalho. A investigação levou, inclusive, a que se descobrissem desenhos originais dispersos por vários arquivos, como os de Abel Manta para os Restauradores, os desenhos originais da Praça D. Pedro IV (Rossio), que estavam no Porto, ou os de Cottinelli Telmo para a Exposição do Mundo Português de 1940.
O trabalho exaustivo da UITCH implicou limpar, identificar, fotografar e, em alguns casos, digitalizar peças em 3D. Além da preservação física dos moldes, a equipa está a trabalhar numa base de dados baseada nos parâmetros de iconografia, moldes, padrões e localização georreferenciada das calçadas. “Queremos que tudo esteja cruzado: o desenho, a execução e o estado de conservação”, explicou à RTP Pedro Miranda.
O sistema visa permitir aos serviços municipais localizar intervenções, identificar padrões e planear acções de conservação. No futuro, "os calceteiros poderão aceder ao sistema, identificar uma calçada, verificar o estado de conservação e agir em conformidade", explicou o mesmo responsável. Em breve, a base de dados será tornada pública. Existe ainda o objectivo de tornar o espaço num centro interpretativo da calçada artística portuguesa, "articulando a investigação com o trabalho dos calceteiros”, segundo a equipa.
Os investigadores apelam a quem possua imagens ou fotografias antigas de ruas com calçada artística e pretenda partilhar informação a contactar directamente a equipa através do e-mail uct.uitch@cm-lisboa.pt.
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