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A APEL encara os dados agora divulgados pela consultora Gfk “com prudência e moderado optimismo”, uma vez que não representam necessariamente um aumento da leitura e da literacia.

A venda de livros cresceu em Portugal 7,6% em valor e 6,9% em unidades vendidas, totalizando cerca de 217,5 milhões de euros e 14,8 milhões de livros vendidos ao longo do ano de 2025. Mas este aumento foi muito impulsionado por “um fenómeno de tendência”: os livros de colorir mandalas e infantis. “Os dados mostram uma evolução positiva do mercado, mas é fundamental não confundir crescimento conjuntural com crescimento estrutural”, afirma o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Miguel Pauseiro, citado em comunicado.
Os dados apresentados – que dizem respeito ao período de Janeiro a Dezembro de 2025 e são da responsabilidade da consultora Gfk – indicam ainda que o crescimento do mercado ocorreu num contexto de estabilidade dos principais canais de venda. As livrarias e outros pontos especializados representaram cerca de 78,5% do valor total do mercado e foram vendidos quase 15 mil novos títulos.
Segundo a APEL, estes resultados são “sinal da vitalidade editorial e da capacidade de investimento das editoras, apesar de um contexto económico desafiante”, sobretudo tendo em conta que se registou um aumento do preço médio do livro de apenas 0,6%, fixando-se nos 14,66€, claramente abaixo da taxa de inflação estimada para o período, o que significa que as editoras continuam a absorver uma parte significativa do aumento dos custos de produção, logística e matérias-primas.
Já quanto às categorias, a mais procurada e única com um crescimento significativo em número de vendas foi a infanto-juvenil, que aumentou de 34,5% em 2024 para 36,3% em 2025. Em segundo lugar, surge a ficção, embora praticamente inalterada em termos de vendas, com um peso de 33,6% face a 33,3% no ano anterior. Por último, os livros de não-ficção representam apenas 26,6% das unidades vendidas, registando uma quebra em comparação com 2024, ano em que a venda deste género se situou nos 29,2%.
Para Miguel Pauseiro, é importante reforçar, por isso, que o aumento global das vendas é reflexo “de um fenómeno de consumo específico, que não se traduz automaticamente num aumento da leitura nem da literacia”, pelo que devem ser encarados “com responsabilidade e visão de longo prazo”. “O verdadeiro desafio é transformar estes sinais de crescimento num reforço consistente dos hábitos de leitura, especialmente entre crianças e jovens, garantindo que o livro continua a ocupar um lugar central no desenvolvimento cultural, educativo e social do país”. Para isso, o presidente da APEL acredita que o papel da família e da escola é decisivo.
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