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É uma espécie de nova casa da poeta para quem o universo doméstico era tudo. Novo centro de estudos será espaço “de investigação e de formação, aberto à comunidade”.

O espólio documental e bibliográfico de Adília Lopes foi doado pelas herdeiras da poeta, as artistas Margarida Jardim e Armanda Duarte, à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A faculdade criou, assim, o Centro de Estudos e Documentação Adília Lopes – CEDAL (integrado no Instituto de Estudos de Literatura e Tradição), com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian, "um novo espaço de investigação e de formação, aberto à comunidade, em linha com o compromisso da instituição com a transferência de conhecimento para a sociedade”, garante a directora, Alexandra Curvelo.
O acervo é composto por centenas de livros, documentos, obras de arte e objectos, que tanto ajudarão, segundo a investigadora e coordenadora do CEDAL, Joana Meirim, a "perceber que autores Adília Lopes lia e que relações têm essas leituras com a sua obra", como a criar o "espaço de maior memória" da escritora lisboeta que morreu a 30 de Dezembro de 2024.
Anotações nas margens de livros, manuscritos, fotografias de família, livros de diferentes áreas científicas e obras com dedicatórias de escritores e artistas integram o espólio da autora que residiu grande parte da vida na freguesia de Arroios. Entre os bens doados há também ilustrações de artistas com quem Adília Lopes colaborou e que assinaram as capas de várias edições da sua obra, e desenhos da poeta. Não ficam de fora objectos pessoais como guarda-chuvas ou uma mala de viagem.
“A biblioteca de um autor é fundamental para o seu estudo”, afirma a investigadora Joana Meirim, adiantando que “o CEDAL tudo fará para incentivar novos estudos sobre a obra e para aproximar novos leitores" do universo da escritora.
Adília Lopes, pseudónimo de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira, estudou Física antes de se licenciar em Línguas e Literaturas Modernas. Ao longo da vida, publicou 36 livros, o primeiro dos quais, Um jogo bastante perigoso, aos 25 anos, in 1985. Com sentido de humor apurado e muitas vezes desconcertante, a autora escreveu, em 1997, no livro Clube da Poetisa Morta (Black Sun Editores): "Nasci em Portugal/ Não me chamo Adília// Sou uma personagem/ de ficção científica/ escrevo para me casar".
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