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MAC/CCB faz dois anos e inaugura exposição com diferentes gerações de artistas portugueses

Além da inauguração de "Avenida 211: Um espaço de artistas em Lisboa", há todo um fim-de-semana de festa (e de entrada gratuita) pela frente.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Exposição "Avenida 211", MAC/CCB
António Jorge Silva | Exposição "Avenida 211"
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O Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém, como hoje o conhecemos, faz dois anos. A data é motivo de festa, a começar logo pela entrada gratuita no museu ao longo de todo o fim-de-semana. Já esta sexta-feira (24), a propósito da inauguração da exposição "Avenida 211: Um espaço de artistas em Lisboa", há performance de Osso Exótico, às 22.30, e um DJ set de carolf entre as 23.00 e a 01.00, numa noite com a curadoria da Filho Único.

No sábado, as celebrações continuam, praticamente todas dentro de portas, uma vez que a chuva ameaça. Haverá visitas às exposições ao longo do dia e uma visita-oficina para os mais pequenos com o mote "À procura da leveza", às 15.00. As inscrições são feitas online. No domingo, último dia da exposição "Experiências do Mundo", a curadora e directora do museu Nuria Enguita, leva os visitantes inscritos numa visita guiada, às 15.30. De manhã, há uma actividade para famílias e à tarde, segunda dose da visita-oficina do dia anterior. Às 16.30, Maria João Falcão faz uma leitura Raccord, de Mattia Denisse.

"Avenida 211": oito anos de criação artística na rua mais cara do país

Entre 2006 e 2014, dezenas de artistas ocuparam um edifício da Avenida da Liberdade. Cedido pelo Banco Espírito Santo, o número 211 albergou ateliers, residências, eventos culturais e exposições, num projecto sem precedentes, liderado pelo escultor e engenheiro civil António Bolota. Onze anos depois do seu término, inaugura a primeira exposição debruçada sobre aqueles oito anos de partilha e criação.

"Era um local de experimentação, de pensamento, um coração cheio de vitalidade, durante quase uma década, e um motor de desenvolvimentos artísticos", nas palavras de Nuria Enguita, que assina a curadoria da exposição, juntamente com Marta Mestre. Esta, por sua vez, denota o cruzamento de gerações no espaço – 5400 metros quadrados, distribuídos por cinco andares e uma cave. Pedro Morais (1944-2018) e Diogo Bolota (1988) foram, respectivamente, o artista mais velho e o artista mais jovem a passar por ali.

No MAC/CCB encontramos agora obras dos cerca de 40 artistas e criativos que integraram o projecto. Não falamos só de artes plásticas, mas também de música e de performance. Não falamos apenas de indivíduos, mas de colectivos e projectos curatoriais, caso do Parkour, do Kunsthalle Lissabon, da The Barber Shop e da Filho Único. O que une todas as obras expostas, bem como todos os materiais documentais, é o facto de terem sido feitas durante a passagem dos artistas pela Avenida da Liberdade, ou em resultado de pesquisas que lá tiveram lugar.

Exposição "Avenida 211", MAC/CCB
António Jorge Silva

Depois de uma primeira sala dedicada ao próprio edifício, a segunda dá destaque aos quatro primeiros artistas a ocupar o edifício – Francisco Tropa, Daniel Barroca, Virgínia Mota e António Bolota. Resultado de um ano de pesquisa – em que o museu envolveu as investigadoras Giorgia Casara e Sara de Chiara, a exposição conta com obras cedidas pelos próprios artistas, mas também por outros museus e instituições culturais e ainda coleccionadores.

"Foi difícil encontrar um fio condutor, porque era uma experiência recente, não era o arquivo de um artista. Digamos que era um espaço aberto, um ecossistema móvel de gente que entrava e que saía. E interessava-nos também esta vida do edifício durante aqueles anos", adiciona Enguita. Ao longo do percurso, encontramos registos do quotidiano do edifício, mas também dos eventos que chegaram a juntar centenas de pessoas nas várias salas do número 211.

Carla Filipe, Diogo Evangelista, Gabriela Albergaria, Joana Escoval, Pedro Barateiro, Pedro Tropa, Susana Pomba e Vera Marmelo são alguns dos nomes nos quais vamos tropeçando. Um deles ecoa de forma especialmente audível. É o de João Queiroz, pintor português que morreu na passada quarta-feira, aos 68 anos. Esta sexta-feira, a inauguração de "Avenida 211: Um espaço de artistas em Lisboa" está marcada para as 21.00. A directora do museu já fez saber: será em sua homenagem.

Praça do Império (Belém). Ter-Dom 10.00-18.30. Até 5 Abr. 7€ (entrada gratuita aos domingos, até às 14.00, e até 26 Out)

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