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Linha do novo 16E implica transplantação de pelo menos 116 árvores e desaparecimento das tílias do separador central da Almirante Reis tornou-se motivo de petição.

O futuro Eléctrico 16, que vai ligar Terreiro do Paço ao Parque das Nações, pode obrigar a transplantar centenas de árvores, nas previsões do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), noticiou o Público. O número exacto de exemplares ainda não é conhecido, uma vez que existem cinco traçados possíveis sobre a mesa (o de referência e quatro alternativos), mas o número mínimo de árvores afectadas é de 116. Ainda assim, "terá de ser avaliado o estado fitossanitário de outros 668 exemplares, para perceber se podem ser transplantados ou podados", escreve o mesmo jornal. Já o pior dos cenários implicaria um impacto directo sobre 520 árvores.
Independentemente do número, o transplante “deverá ser efectuado para locais disponíveis”, na área geográfica de qualquer uma das seis freguesias por onde passará o novo eléctrico, prevê o programa base do projecto. Apenas depois de elaborado o relatório técnico de avaliação visual do arvoredo, se conhecerão as novas localizações dos exemplares potencialmente alvos de transferência ou de poda.
A informação é conhecida desde Setembro e estava explícita nos documentos disponibilizados para consulta pública pela autarquia, com a Carris a garantir que alteraria o projecto com o fim de minimizar impactos de cariz ecológico ou relacionados com o ruído, por exemplo. Mas a perda de mancha arbórea ao longo do traçado – onde vivem hoje mais de 4000 árvores – é inevitável, em especial em vias como a Avenida Infante Dom Henrique, a Avenida Dom João II e a Alameda dos Oceanos.
O 16E deverá percorrer cerca de 12 quilómetros, num total de cerca de 35 minutos. A obra deverá começar em 2027.
A par deste projecto, também a requalificação da Avenida Almirante Reis (cujos contornos foram divulgados em Novembro de 2024) implica a transferência de centenas de árvores, com a retirada do separador central. O tema levou um grupo de cidadãos (Moradores de Arroios) a chamar a atenção para esta perda e a lançar uma petição endereçada à Câmara Municipal de Lisboa (CML), para que reconsidere o projecto.
Na página criada sobre o assunto, elenca-se a perda das 295 tílias ao longo do separador central da avenida. "A CML apresentou um projecto para a Almirante Reis com várias melhorias, mas discordamos da opção de fundo: o aumento do espaço rodoviário, de duas para três vias entre o Martim Moniz e a Alameda. Esta opção implica a remoção de 295 árvores do separador central, a manutenção de passeios estreitos e a implementação de atravessamentos pedonais mais largos e perigosos. Implica ainda ciclovias com larguras muito abaixo dos mínimos e integradas nos passeios, o que exponenciará os conflitos com peões, mas também com os automóveis que viram à direita para aceder às transversais – acabando, em última instância, por comprometer a fluidez do tráfego", pode ler-se no documento.
Na apresentação do projecto de requalificação, a 26 de Novembro de 2024, a autarquia avançou que o separador central da avenida desapareceriam, criando-se uma ciclovia (por vezes unidireccional, outras bidireccional) segregada do trânsito rodoviário por um corredor de novas árvores e arbustos. O pavimento seria substituído nas zonas de passeio, em algumas áreas da via central o asfalto desapareceria para dar lugar a cubos de granito e seriam criados lugares de estacionamento (200 dos quais em parques subterrâneos). "Temos agora 295 árvores ao longo de todo o eixo e vamos ter 370", assegurou na altura a vereadora do Urbanismo, Joana Almeida, sem precisar como e sem adiantar detalhes sobre as novas plantações e eventuais transplantações. Somando aos canteiros e arbustos previstos, a autarca avançou uma redução em 46% da área betuminosa e um ganho de 50% de sombra nos passeios.
O início da obra na Avenida Almirante Reis também está previsto para o início de 2027.
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