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MIL Cultura e Política estreia-se em Lisboa com debates, oficinas e concertos

À décima edição, o MIL tem um novo formato, que separa o pensamento crítico da programação musical, com encontros na Casa Capitão entre 21 e 23 de Maio e a etapa dedicada aos concertos em Outubro.

Hugo Geada
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Hugo Geada
Jornalista
MIL
Constança Ferreira | MIL
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O MIL não traz apenas música a Lisboa. A décima edição deste festival vai dividir-se em dois momentos distintos, com uma componente dedicada à reflexão cultural e política e outra centrada exclusivamente na música. O arranque faz-se com o novo MIL Cultura e Política, entre 21 e 23 de Maio, na Casa Capitão, um programa que se propõe “pressionar o presente” através de debates, oficinas, sessões de trabalho e encontros entre agentes culturais, investigadores e criadores.

Nesta primeira parte do MIL, o foco está nas relações entre cultura, poder e produção de conhecimento, num formato que pretende dar mais espaço à análise crítica do sector cultural. Entre os nomes convidados estão Malcom Ferdinand (21 Mai), investigador que cruza ecologia, história colonial e pensamento decolonial, Geoffroy de Lagasnerie (21 Mai), filósofo e sociólogo francês ligado à teoria crítica contemporânea, e Cynthia Cruz (22 Mai), poeta e ensaísta que tem trabalhado as tensões entre classe, cultura e mercado.

Segundo a organização, a decisão de separar o festival em dois momentos surge da necessidade de dar maior clareza ao crescimento do projecto. “Era difícil explicar e dar o devido destaque a tudo o que acontecia no MIL. O projeto foi crescendo e, de uma forma orgânica, começou a refletir sobre outros temas além da música”, explica o co-fundador e director da CTL e do MIL, Gonçalo Riscado, em comunicado. “Decidimos dar autonomia à vertente mais focada na reflexão crítica sobre cultura, políticas culturais e o seu papel no presente”.

O programa arranca na manhã de 21 de Maio com uma sessão dedicada às políticas culturais em Portugal, seguindo-se ao longo do dia várias conversas e oficinas sobre condições de criação, participação pública e produção de conhecimento. Um dos destaques é o fórum sobre direitos culturais com o investigador espanhol Daniel Granados, bem como uma oficina conduzida por Maria Vlachou, da Acesso Cultura, centrada na linguagem e comunicação no sector cultural.

No dia seguinte, 22 de Maio, o programa continua com várias intervenções sobre os impactos das plataformas digitais na cultura e no jornalismo. Kate Pasola aborda as transformações do jornalismo cultural no contexto digital, enquanto Alice Cappelle discute a forma como as narrativas políticas e culturais circulam e são amplificadas em ambientes digitais. Já Cynthia Cruz encerra o dia com uma intervenção a partir do seu ensaio “Melancolia de Classe”, onde analisa o apagamento do conflito de classes na cultura contemporânea.

O programa inclui ainda sessões dedicadas às infra-estruturas digitais, ao open source e aos modelos de produção colectiva de conhecimento, com consultoria editorial da Shifter. Paralelamente, serão exibidos dois filmes: Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, e Orwell: 2+2=5, de Raoul Peck, ambos a partir de uma leitura crítica das estruturas de poder e das narrativas políticas contemporâneas.

Apesar do enfoque académico e político durante o dia, o MIL Cultura e Política prolonga-se pela noite com uma programação mais informal, que inclui concertos, como Sopa de Pedra (21 Mai), Febre 90s (22 Mai) – ambos pagos –, Lesma, Manga Cava, Jorge Rosa, Rezmorah & Mahfoud, Rádio Cacheu, Mães Solteiras e Puta da Silva, todos de entrada livre.

O Festival MIL regressa depois, entre 7 e 10 de Outubro, com um formato totalmente dedicado à música.

Casa Capitão, Rua do Grilo, 119 (Beato). 21-23 Mai (Qui-Sáb). Entrada livre

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