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Morreu António Lobo Antunes. Governo recorda “legado brilhante”

O médico e escritor português António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de Março, aos 83 anos. Era um dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
António Lobo Antunes
© Georges Seguin/ Wikipedia | António Lobo Antunes, em 2010, no Salon du livre de Paris
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António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de Março, aos 83 anos. Considerado uma das vozes literárias mais importantes da história recente de Portugal, o médico psiquiatra e escritor construiu ao longo de mais de quatro décadas uma obra singular, marcada pela memória da guerra colonial e uma exploração profunda da condição humana. Em Abril, haverá novo livro.

“É com profundo pesar que lamentamos a morte de António Lobo Antunes, escritor maior de Portugal, intérprete sensível e incomparável da condição humana, um dos nossos autores mais reconhecidos das últimas décadas”, escreveu a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, na rede social X (antigo Twitter). O primeiro-ministro, Luís Montenegro, também já se manifestou: “O seu legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português e por isso continuará a inquietar-nos e a inspirar-nos.”

Nascido em Lisboa em 1942, formou-se em Medicina e foi mobilizado como médico militar para Angola, durante a Guerra Colonial, experiência que marcou de forma decisiva a sua escrita. Estreou-se na literatura em 1979, com Memória de Elefante, publicado no mesmo ano em que saiu Os Cus de Judas, romance que o afirmou como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa.

Autor de mais de três dezenas de romances, traduzido em várias línguas e Prémio Camões em 2007, Lobo Antunes – que escrevia à mão, antes de passar os textos a limpo em folhas A4, e dizia que a memória era o motor das suas histórias – foi durante décadas apontado como eterno candidato ao Prémio Nobel da Literatura. Apesar de ter anunciado várias vezes que deixaria de escrever, só a demência foi capaz de lhe dominar o vício da escrita, como revelou há dois anos João Céu e Silva, na reedição de Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes.

O seu último livro publicado foi As Outras Crónicas, em 2024, depois de ter reflectido sobre a velhice e a iminência da morte em O Tamanho do Mundo. Esse, que acabou por ser o seu último romance, valeu-lhe o Prémio Literário Fundação Inês de Castro, uma distinção que se veio juntar a muitos outros reconhecimentos nacionais e internacionais, incluindo o título de comendador da Ordem das Artes e das Letras de França e as duas mais altas honras da República Portuguesa.

A Dom Quixote compromete-se “a continuar a trabalhar e a promover a sua obra, cuja importância ultrapassou fronteiras”, como escreve numa publicação no Facebook, onde se despede assim “do grande escritor português, o verdadeiro escritor, que dedicou toda a sua vida à literatura, prestando-lhe a devida e merecida homenagem e deixando sentidas condolências à sua família, aos seus amigos e aos seus leitores”.

A editora de sempre da obra de Lobo Antunes também já confirmou que publicará um inédito em Abril, não de prosa, o seu género favorito, mas de poesia, onde estarão reunidos os poemas que foi escrevendo ao longo da sua vida. Ele que sempre lamentou não ter sido poeta”.

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