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Morreu Luís Represas, uma das vozes mais marcantes da música portuguesa

Fundador dos Trovante, cantor e compositor de 69 anos teve um percurso musical de meio século, recheado de êxitos como ‘Feiticeira’ ou ‘Timor’.

Hugo Geada
Escrito por
Hugo Geada
Jornalista
Luís Represas
Rita Carmo | Luís Represas
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Um dos artistas mais reconhecidos da música portuguesa e voz de canções como “Feiticeira” ou “Timor”, Luís Represas morreu esta quarta-feira, aos 69 anos, vítima de cancro.

A trajectória musical do cantor e compositor começou em 1976 com o surgimento dos Trovante, grupo que marcou a história da música popular portuguesa do pós-25 de Abril e com o qual manteve uma forte ligação afectiva ao longo da vida. Após o fim da banda, em 1992, Represas iniciou uma bem-sucedida carreira a solo com a edição do álbum Represas (1993), gravado em Cuba e que incluiu temas emblemáticos como "Feiticeira" e "Neva sobre a marginal", além da colaboração de Pablo Milanés.

Ao longo de meio século de criação artística, lançou discos como Cumplicidades (1996), A Hora do Lobo (1998), Olhos nos Olhos (2008), Boa Hora (2018) – galardoado com o Prémio Pedro Osório da Sociedade Portuguesa de Autores – e o seu mais recente trabalho, Miragem (2024). Na sua discografia acumula parcerias com nomes influentes como José Afonso, Fausto Bordalo Dias, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Ivan Lins, Gilberto Gil, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma e Phil Collins.

Paralelamente à música, Luís Represas manteve uma voz activa na intervenção social e política. Teve um papel de relevo na luta pela causa da independência de Timor-Leste, tendo sido convidado pelo Presidente Jorge Sampaio a integrar a comitiva da visita oficial ao território e posteriormente condecorado com a Ordem de Timor-Leste pelo Presidente Taur Matan Ruak. Em 2005, o Estado Português atribuiu-lhe a Ordem do Mérito no grau de Comendador.

Luís Represas
Rodrigo SimasLuís Represas

A morte do músico surge numa altura em que se preparava para celebrar os 50 anos de carreira, tendo agendados concertos de celebração nos coliseus de Lisboa e do Porto para Abril de 2027, onde pretendia apresentar um retrato do seu percurso, combinando o repertório a solo com a memória viva dos Trovante.

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