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Há quase dez anos que Ridley Scott não fazia um filme de ficção científica. O realizador regressa ao género com ‘Na Companhia das Estrelas’, uma história pós-apocalíptica com um orçamento de 110 milhões de dólares.

No cinema, na televisão e agora também no streaming (ver, por exemplo, a série inglesa de culto dos anos 70 Survivors, e mais recentemente, a russa To the Lake, ou americanas como The Stand – que tem duas versões, em 1994 e em 2020 –, The Walking Dead, Jericho e The Last of Us), o planeta Terra já foi atingido por toda a sorte de cataclismos, que aniquilaram a grande maioria da população e deram origem a precárias e perigosas sociedades pós-apocalípticas. Foram guerras nucleares, invasões alienígenas, criaturas fantásticas, epidemias devastadoras, esgotamento dos combustíveis, ou uma multiplicidade de catástrofes cósmicas, naturais e ecológicas, que tornaram regulares e abundantes (embora nem sempre em qualidade) os filmes, telefilmes e séries desta muito popular vertente da ficção científica.
Entre os melhores, e ficando apenas pelos filmes, encontramos títulos como a trilogia Mad Max, de George Miller, Um Rapaz e o seu Cão, de L. Q. Jones, Nova Iorque 1997 e Fuga de Los Angeles, de John Carpenter, O Homem que Veio do Futuro, de Franklin J. Schaffner, os títulos dos Mortos-Vivos de George Romero, Para Além do Amanhã, de Ray Milland, O Último Combate, de Luc Besson, A Hora Final, de Stanley Kramer, Zardoz, de John Boorman, Testamento, de Lynne Littmann, Reino de Fogo, de Rob Bowman, Waterworld, de Kevin Reynolds, Quando o Mundo Cegou, de Steve Sekely, Tank Girl – Uma Mulher de Armas, de Rachel Talalay, O Último Homem na Terra, de Sidney Salkow, ou Bem-Vindo à Zombieland, de Ruben Fleischer. (Só estes são suficientes para fazer um ciclo temático variado e significativo.)
Foi precisamente uma história de ficção científica pós-apocalíptica que Ridley Scott escolheu para fazer o seu regresso a este género cinematográfico, ao qual ficará para sempre associado graças a Alien – O 8 º Passageiro (1979) e Blade Runner – Perigo Iminente (1982), com a produção Na Companhia das Estrelas (The Dog Stars, no original, estreia em Portugal dia 27 de Agosto). Há quase uma década, mais precisamente desde 2017, quando assinou Alien: Covenant, que Scott, de 88 anos, não fazia uma fita de ficção científica, embora tenha estado associado, como produtor, a projectos deste género.
Na Companhia das Estrelas baseia-se num livro do jornalista e escritor Peter Heller, com argumento escrito por Mark L. Smith, autor dos guiões de fitas como The Revenant: O Renascido, de Alejandro G. Iñárritu, ou O Céu da Meia-Noite, de George Clooney, esta também de ficção científica pós-apocalíptica. Há muito pouca informação sobre Na Companhia das Estrelas, cuja rodagem foi mantida muito discreta. Passa-se nos EUA, após uma mortífera epidemia de gripe ter dizimado quase toda a humanidade. Os sobreviventes procuram manter-se à tona e são ameaçados por temíveis e brutais bandos de saqueadores, conhecidos por Reapers.
Hig (Jacob Hilordi) é um piloto profissional que perdeu a mulher na epidemia. Juntamente com o seu fiel cão Jasper, o seu amigo Bangley (Josh Brolin), um ex-Marine com grande conhecimento de armas, e com uma jovem médica, Cima (Margaret Qualley), decidem meter-se no Cessna daquele, que se mantém funcional, e procurar uma vida melhor e mais segura algures no interior do país, ao mesmo tempo que procuram detectar a origem de uma estranha emissão de rádio que receberam. O elenco de Na Companhia das Estrelas inclui ainda Guy Pearce, Allison Janey e Benedict Wong. O filme dispôs de um orçamento de 110 milhões de dólares, foi rodado nos EUA, em Itália e no Reino Unido, e tem quase duas horas de duração. No final do mês saberemos se Ridley Scott vem ou não trazer algo de novo a este tão glosado formato da ficção científica distópica.
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