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Na única galeria do país dedicada à colagem, há combinações que abrem cabeças

A Reqollē abriu em Fevereiro junto ao Hotel Ritz, sob o propósito de dar à colagem mais do que mesas de trabalho. A ideia foi de Kateryna Voloshyna.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Galeria Reqollē
Rita Chantre | Galeria Reqollē
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"A colagem pode combinar objectos que nunca se teriam encontrado noutra vida", começa por dizer Kateryna Voloshyna, fundadora da primeira e única galeria em Portugal dedicada em exclusivo à colagem, a Reqollē. Anne Graham, por exemplo, norte-americana a viver na Ericeira, decidiu coleccionar lixo apanhado na praia e materiais que não chegaram a sê-lo (como papel-prata de ovos da Páscoa) para criar "Abundance VII", uma peça de padrões geométricos e luminosos que, de outra forma, se teriam dispersado no oceano ao longo de centenas de anos, sem nunca se encontrarem. À direita, Alice Barahona (a mais jovem das artistas desta mostra colectiva, com 18 anos) propõe um livro de imagens e poesia, não fosse ela uma colagem de palavras. Ao fundo, Luís Mouro apresenta uma montagem com sobras de metal, pedra e madeira.

Na exposição "Non-Obvious Connections" (Ligações Não-Óbvias, em tradução livre), que pode ser vista até 13 de Agosto, atesta-se a premissa de Voloshyna, ela própria artista visual, autodidacta no universo da colagem e imigrada da Ucrânia há pouco mais de três anos. "Comecei a fazer colagem há oito anos, primeiro digital e só depois analógica. Houve uma altura em que tinha 15 encomendas por dia, para diferentes publicações e marcas", conta à Time Out a criadora, que colaborou com várias marcas e revistas de moda, da Elle à Vogue. 

Kateryna Voloshyna
Rita ChantreKateryna Voloshyna

Para Voloshyna, a colagem era "a coisa", mas faltava um espaço para apresentá-la enquanto obra de arte. Também no universo académico, não alcançava o protagonismo de áreas clássicas como a pintura ou a escultura. "Não tenho uma resposta quanto ao porquê, mas a colagem não está presente nas instituições. Mesmo nas escolas de arte, há muito poucas aulas para explorar a colagem. Começa por aí", nota a artista.

De oficinas a performances

Como contraponto, são muitas as pessoas interessadas nesta forma de arte, facto comprovado pela curadora na chamada feita pela galeria para montar a exposição actual. "Responderam-nos 60 artistas, de nove nacionalidades, todos residentes em Portugal", contabiliza. Talvez por ser uma forma de arte na qual é "fácil de entrar", democrática e aberta ao DIY. A mesma abertura e fluxo podem aplicar-se ao universo dos apreciadores e compradores. "São obras normalmente de pequena dimensão e com preços mais acessíveis, que as pessoas conseguem efectivamente comprar. A receptividade tem sido muito boa", afirma Voloshyna, num balanço dos primeiros cinco meses de actividade da galeria, onde encontramos obras a rondar os 200 euros mas também os 2000€.

Reqollē
Rita ChantreReqollē

Além de exposições (a Reqollē abriu em Fevereiro com "Look Closer"individual da francesa Babette de la Vega), o espaço recebe sessões de colagem, para aprender e experimentar, conversas e outras iniciativas (como uma performance, musicada o vivo, em que um artista criava uma colagem em tempo real). "Quando cheguei da Ucrânia, foi um período muito difícil, e pensámos que fazer colagem em conjunto também poderia ser uma forma de lidar com o que estávamos a sentir, por isso, formei um clube", enquadra Kateryna Voloshyna. A galeria veio três anos depois, porque "fazia falta um espaço físico, com paredes", onde se desse a saber que a colagem é muito mais do que andar aos papéis.

Rua Rodrigo da Fonseca, 107B (Marquês de Pombal). Qua-Sex 13.00-19.00, Sáb 12.00-18.00. Entrada livre

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